“Bacon – Lógica da sensação” de Deleuze

Bacon não é Malevich (o maneta)

Onde Deleuze enquadraria a sensação de Malevich
(e que José Gil deixou “obscuro” na sua última aula (aqui o mp3http://www.4shared.com/embed/242705977/1de96f24)

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“Cap. 12 O Diagrama
(…)
1) Pintura Abstracta, código e espaço ÓPTICO
2) Action Painting, Diagrama e o espaço MANUAL
3) O que Bacon não aprecia nestas duas soluções

O importante de fato é por que Bacon não se engaja nem em uma nem em outra das vias precedentes. A severidade de suas reações não pretende fazer julgamento, mas antes enunciar o que não convém a Bacon, a razão pela qual pessoalmente Bacon não toma nem uma e nem outra dessas vias.

De uma parte, ele não é atraído por uma pintura que tende a substituir ao diagrama involuntário um código visual espiritual (mesmo se houver ali uma atitude exemplar do artista). O código é forçadamente cerebral, e a ele falta a sensação, a realidade essencial da queda, ou seja, a ação direta sobre o sistema nervoso.

Kandinsky definia a pintura abstrata pela “tensão”; mas segundo Bacon, a tensão é o que mais falta à pintura abstrata: interiorizando-a na forma óptica, ela a neutraliza. E finalmente, à força de ser abstrato, o código corre o risco de ser uma simples codificação do figurativo12.

Por outro lado, Bacon não é particularmente atraído pelo expressionismo abstrato, pela potência e o mistério da linha sem contorno. É porque o diagrama tomou todo o quadro, diz ele, que sua proliferação fez um verdadeiro “desperdiço”. Todos os meios violentos da Action Painting, bastão, escova, vassoura, papel toalha, e mesmo seringa de confeiteiro, desencadeiam [ou provocam] uma pintura-catástrofe: desta vez, a sensação é atingida, mas fica em um estado irremediavelmente confuso.

Bacon não deixará de declarar a necessidade absoluta de impedir o diagrama de proliferar, a necessidade de mantê-lo em certas regiões do quadro e em certos momentos do ato de pintar: ele pensa que, no domínio do traço irracional e da linha sem contorno, Michaux vai mais longe do que Pollock, precisamente porque guarda uma medida [ou controle, ou ponderação] do diagrama13.

Salvar o contorno, não há nada mais importante para Bacon. Uma linha que não delimita nada não tem nem mesmo um contorno próprio: Blake ao menos o sabia14. É preciso então que o diagrama não roa todo o quadro, que ele fique limitado no espaço e no tempo. Que ele fique operatório e controlado. Que os meios violentos não se desencadeiem , e que a catástrofe necessária não submirja por inteiro.

O diagrama é uma possibilidade de fato, ele não é Fato ele-mesmo.
Todos os dados figurativos não devem desaparecer;
e sobretudo uma nova figuração, aquela da Figura, deve sair do diagrama,
e levar consigo a sensação até o claro e o preciso.

Sair da catástrofe… Mesmo se terminamos por um jato de tinta “pós-lance”, é como uma chicotada local que nos faz sair
ao invés de nos afundar15. Diríamos que o período “malerisch”, ao menos, estenderia o diagrama por todo o quadro? Não seria toda a superfície do quadro que se encontrava riscada de traços de grama, ou pelas variações de uma mancha-cor escura funcionando como cortina? Mas mesmo agora, a precisão da sensação, a nitidez da Figura, o rigor do contorno continuam agindo sob a mancha ou sob os traços que não os apagaram mas lhe deram antes uma potência de vibração e de ilocalização (a boca que ri ou que grita). E o período ulterior de Bacon volta-se para uma localização dos traços ao acaso e das zonas limpadas.

É portanto uma terceira via que Bacon segue,
nem óptica como a pintura abstrata,
nem manual como a Action Painting.”

Tradução de: Deleuze, Gilles (1981) Francis Bacon: Logique de la Sensation. Paris: aux
éditions de la différence. por Silvio Ferraz e Annita Costa Malufe – sem revisão.

Paranoico ou Esquizo? Que prefere?

Sei q a minha linguagem é agressiva, mas é esquizoanálise. Só assim se permite dizer “pateta” (bete…), “paranoico”, “perverso”, “esquizo” (tal como encontras pelo menos desde anti-edipo em Dleuze e companhia) é segundo “regimes de loucura”…

“Mas porquê as palavras PARANÓIA e ESQUIZOFRENIA,
que são como pássaros falantes ou nomes próprios de raparigas?

Porque é que os investimentos sociais obedecem a essa divisória
que lhe dá um conteúdo propriamente delirante (delirar a história)?

E que divisória é essa, como é que sobre ela se definem a ESQUIZOFRENIA e a PARANÓIA?

Supomos que tudo acontece sobre o CORPO SEM ÓRGÃOS,
mas este tem como que 2 faces.

1) Elias Canetti descreveu perfeitamente o modo como
o PARANÓICO organiza as MASSAS e as «matilhas»:
ele combina-as, opõe-as, manobra-as.

O PARANÓICO maquina MASSAS,
é o artista dos grandes conjuntos MOLARES,
das formações estatísticas ou gregaridades,
dos fenómenos de multidões organizadas.
Investe tudo sob o signo da grandeza
(…)
Dir-se-ia que, das duas orientações da física,
a MOLAR que trata dos grandes números e dos fenómenos de massa,
e a orientação MOLECULAR que, pelo contrário, se embrenha nas singularidades, nas
suas interacções ou nas suas ligações à distância ou de ordens diferentes,
o paranóico escolheu a primeira: faz MACRO-FÍSICA.

2) E que, pelo contrário,
o ESQUIZO segue a outra orientação, a da MICRO-FÍSICA
das MOLÉCULAS que já não obedecem às leis estatísticas;
ondas e corpúsculos, fluxos e objectos parciais que já não são tributarias dos grandes números,
linhas de fuga infinitésimais em lugar das perspectivas de grandes conjuntos.

E seria sem dúvida um ERRO opor estas duas dimensões como o COLECTIVO e o INDIVIDUAL.
(…) A diferença será, antes, a diferença entre 2 espécies de colecções ou  populações:
os GRANDES CONJUNTOS e as MICRO MULTIPLICIDADES.

Em AMBOS os casos o INVESTIMENTO É COLECTIVO, e de um campo colectivo;

até mesmo uma partícula isolada está associada a uma onda,
que é como um fluxo que define o espaço coexistente das suas presenças.

Todos os investimentos são colectivos, todos os fantasmas são FANTASMAS DE GRUPO e, neste sentido, afirmação de realidade.

Mas os 2 tipos de investimentos são radicalmente distintos,

porque um relaciona-se com as ESTRUTURAS MOLARES que a si subordinam as MOLÉCULAS
e o outro, ao contrário.
relaciona-se com as MULTIPLICIDADES MOLECULARES que a si subordinam os fenómenos
estruturais de MASSA.

Um é um investimento de GRUPO SUJEITADO tanto na forma de soberania como nas formações coloniais do conjunto gregário, que reprime e recalca o desejo das pessoas;

o outro é um investimento de GRUPO-SUJEITO nas multiplicidades
transversais em que o desejo é um fenómeno molecular,

isto é,
OBJECTOS PARCIAIS e FLUXOS,
em oposição
aos CONJUNTOS e às PESSOAS”.

Anti-édipo

Deleuze e Guattari

p. 292

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Foucault "Em defesa da sociedade" demarcando-se de esquemas contrato-opressão como conflito-repressão

“Em defesa da sociedade”. Se, como descreveu Deleuze, Foucault passa por 3 fases (Saber-Poder-Subjectivação), este é sem dúvida um momento charneira entre o segundo e o terceiro momento do seu pensamento ;)

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Foucault “Em defesa da sociedade” ; Aula 7 de Janeiro de 1976
p.24
“(…) Poderíamos pois contrapor 2 grandes sistemas de análise do poder:

1) Um, que seria ao velho sistema que vocês encontram nos filósofos do sec XVIII, se articularia 3m torno do poder como direito original que se cede , constitutivo da soberania, e tendo o CONTRATO como matriz do poder politico. E haveria o risco desse poder assim constituído, quando ultrapassa a si mesmo, ou seja, quando vai além dos próprios termos do contrato, torna-se opressão. PODER-CONTRATO, tendo como limite, ou melhor, como ultrapassagem, d limite, a opressão.

2) E vocês teriam outro sistema, que tentaria, pelo contrário, analisar o poder político não mais de acordo com o esquema contrato-opressão, mas de acordo com o esquema GERRA-REPRESSÂO. E, nesse momento, a repressão não é o que era a opressão em relação ao contrato, ou seja, um abuso, mas ao contrário, o simples efeito e o simples prosseguimento de uma relação de dominação. A repressão nada mais seria que o emprego, no interior dessa pseudopaz solapada por uma guerra contínua, de uma relação de força perpétua.

Portanto, 2 esquemas de análise do poder: o esquema CONTRATO-opressão, 2ue é, se vocês preferirem, o esquema jurídico, e o esquema GUERRA-repressão, ou dominação-repressão, no qual a oposição pertinente não é a do legítimo e do ilegítimo, como no esquema precedente, mas a oposição entre luta e submissão.

É evidente que tudo que eu lhes disse ao longo dos anos anteriores se insere do lado do esquema GUERRA-repressão. Foi este esquema que, de fato, eu tentei aplicar.”

(…)

‎” Ora, à medida que eu o aplicava (o esquema GUERRA-repressão), fui levado mesmo assim a RECONSIDERA-LO; ao mesmo tempo, claro, porque numa porção de pontos ele ainda está insuficientemente elaborado – eu diria mesmo que está totalmente inelaborado – e também creio que as duas noções de “repressão” e de “guerra”, devem ser consideravelmente modificadas, quando não, talvez, no limite, ABANDONADAS.

Em todo o caso, é preciso olhar um pouco mais de perto a hipótese de que os mecanismos de poder seriam essencialmente mecanismo de repressão, e a outra hipótese de que, sob o poder político, o que paira e o que funciona, é essencialmente e acima de tudo uma relação belicosa.

Acho, e não digo isto para me gabar, que já faz bastante tempo que desconfio dessa noção de “repressão”, e tentei mostrar-lhes, justamente a propósito das genealogias de que eu falava agora há pouco, a propósito da história e do direito penal, do poder psiquiátrico, do controle da sexualidade infantil, etc. que os mecanismos empregues nessas formações de poder ERAM ALGO MUITO DIFERENTE da repressão; em todo o caso, eram bem mais do que ela. Por conseguinte, as próximas aulas serão dedicadas à retomada da crítica da noção de REPRESSÃO, de tão corrente hoje em dia, para caracterizar os mecanismos e os efeitos de poder, é totalmente INSUFICIENTE para demarcá-los.”

Aula 14 de Janeiro de 1976 p.32
“(cinco) Precauções de método;
1) Primeiro, não se trata de analisar formas regulamentadas e legitimas do poder no seu centro, no que podem ser os seus mecanismos gerais ou seus efeitos de conjunto. Trata-se de… apreender, AO CONTRÁRIO, o poder em suas EXTERMIDADES, em seus últimos lineamentos, onde ele se torna capilar; ou seja: tomar o poder em suas formas e suas instituições mais regionais, mais LOCAIS, sobretudo no ponto em que o poder, indo além das regras de direito que o organizam e o delimitam, se prolonga, em consequência, mais além dessas regras, investe-se em instituições, consolida-se em técnicas e fornece instrumentos de intervenção materiais, eventualmente até violentos.

Um exemplo: em vez de se procurar saber onde e como na soberania, tal como ela é apresentada pela filosofia , seja do direito monárquico, seja do direito democrático, se fundamenta no poder de punir, tentei ver como, efectivamente, a punição, o poder de punir se consolidava num certo número de instituições LOCAIS, regionais, materiais, seja o suplicio ou o aprisionamento, e isto num mundo a um só tempo institucional, , físico, regulamentar e violento dos aparelhos efectivos de punição. Em outras palavras, apreender o poder sob o aspecto de EXTERMIDADES cada vez menos jurídicas de seu exercício: era a primeira instrução dada”

p. 33
2) Segunda instrução: tratava-se de NÃO analisar o poder no nível da intenção ou da decisão, de não procurar considera-lo do LADO DE DENTRO, de não formular a questão (que acho labiríntica e sem saída) que consiste em dizer: quem tem o… poder afinal? O que tem na cabeça e o que procura aquele que tem o poder?
Mas sim de estudar o poder, AO CONTRÁRIO, do lado em que sua intenção – se intenção houver – está inteiramente concentrada no INTERIOR DE PRÁTICAS REAIS e efectivas; estudar o poder de certo modo, do lado de sua FACE EXTERNA, no ponto em que ele está em relação directa e imediata com o que se pode denominar, muito provisoriamente, , seu objecto, seu alvo, seu campo de aplicação, no ponto , em outras palavras, em que ele se implanta e produz EFEITOS REAIS.
Portanto NÃO: por que certas pessoas querem dominar? O que elas procuram, Qual a sua estratégia de conjunto?
E SIM: como as coisas ACONTECEM no momento mesmo. No nível, no PROCEDIMENTO de sujeição, ou nesses PROCESSOS contínuos e ininterruptos que sujeitam os corpos, dirigem os gestos, regem os comportamentos.
Em outros termos, em vez de se perguntar como o soberano aparece no alto, procurar saber como se constituíram, pouco a pouco, progressivamente, realmente, materialmente, os súbditos, o súbdito, a partir da multiplicação dos corpos, das forças, das energias, das matérias, dos desejos, dos pensamentos, etc. (…) Pois bem, em vez de formular esse problema da alma central (Alma do Leviata em Hobbes), eu acho que conviria tentar – eu tentei fazer – estudar os corpos periféricos e múltiplos, esses corpos constituídos pelos efeitos de poder, como súbditos.”

p.34
3) Terceira precaução de método: NÃO tomar o poder como fenómeno de dominação maciço e homogéneo – dominação de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre outros, de uma classe sobre outras; ter em mente que o poder, excepto ao considera-lo muito alto e de muito longe, não é algo que partilhe entre aqueles que o têm e que o detêm exclusivamente, e aqueles que não têm e que são submetidos a ele.
O poder, acho eu, deve ser analisado como uma coisa que CIRCULA, ou melhor, uma coisa que só FUNCIONA em cadeia. JAMAIS está LOCALIZADO aqui ou ali, jamais está entre as mãos de alguns, jamais é possuído como uma riqueza ou um bem. O PODER FUNCIONA. O poder exerce-se em rede e, nessa rede, não só os indivíduos circulam, mas estão sempre em posição de ser submetidos a esse poder e também de exerce-lo. JAMAIS eles são alvos inertes ou consentidos do poder, são sempre seus INTERMEDIÀRIOS. Em outras palras, o poder transita pelos indivíduos, não se aplica a eles.

NÃO SE DEVE, acho eu, conceber o individuo como uma espécie de núcleo elementar, átomo primitivo, matéria múltipla e muda na qual viria aplicar-se, contra a qual se viria abater o poder, que submeteria os indivíduos ou os quebraria. Na realidade, O QUE FAZ que um corpo, gestos, discursos, desejos sejam identificados e constituídos como INDIVIDUOS, é precisamente isso um dos efeitos do poder. Quer dizer, O INDIVIDUO É UM EFEITO DO PODER e é, ao mesmo tempo, na mesma medida em que é um efeito seu, seu intermediário: o poder transita pelo indivíduo que ele constituiu.”

p. 36
“4) Quarta consequência no plano das precauções de método: quando eu digo: quando eu digo: “o poder é algo que se exerce, que circula, que forma rede”, talvez seja verdade até certo ponto. Podemos igualmente dizer: “todo…s nós temos fascismo na cabeça e, mais fundamentalmente ainda; “todos nós temos o poder no corpo”. E o poder  pelo menos em certa medida, transita ou transmuta por nosso corpo. Tudo isto pode ser dito; mas não creio que seja preciso concluir, a partir daí, que o poder seria, se vocês quiserem, a coisa mais bem distribuída do mundo, a mais distribuída, se bem que até certo ponto ele o seja. Não é uma espécie de distribuição democrática ou anárquica do poder através do corpo. Quero dizer o seguinte: parece-me que – essa seria a 4 precaução do método – o importante é que não se deve fazer uma espécie de dedução do poder que partiria do centro e que tentaria ver até onde ele se prolonga por baixo, em que medida ele se reproduz, se reconduz até aos elementos mais atomísticos da sociedade. Creio que, ao CONTRÁRIO- é a precaução do método a seguir – fazer uma análise ASCENDENTE do poder, ou seja, partir dos mecanismos infinitesimais, os quais têm sua própria história, seu próprio trajecto, sua própria técnica e táctica, e depôs ver como esses mecanismo de poder, que têm, pois sua solidez e, de certo modo, sua tecnologia própria, foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, inflectidos, transformados, deslocados, estendidos, etc. por mecanismos cada vez mais gerais e por formas de dominação global.”

p. 40
(…) 5) Quinta precaução: é bem possível que as grandes máquinas de poder sejam acompanhadas de produção ideológica. Houve sem dúvida, por exemplo, uma ideologia da educação, uma ideologia do poder monárquico, uma ideologia da democracia p…parlamentar, etc. Mas, na base, no ponto em que terminam as redes de poder, o que se forma não acho que sejam ideologias.

É muito menos e, acho eu, muito mais.

São instrumentos efectivos de formação e de acúmulo de saber, são métodos de observação, técnicas de registo, procedimentos de investigação e de pesquisa, são aparelhos de verificação. Isto quer dizer que o poder, quando se exerce em seus mecanismos finos, não pode faze-lo sem a formação, a organização e em pôr em circulação um SABER, ou melhor, aparelhos de saber que não são acompanhamentos ideológicos.”

p.40 “Para resumir essas 5 precauções de método, eu diria isto: em vez de orientar a pesquisa sobre o poder para o âmbito do edifício jurídico da soberania, para o âmbito dos aparelhos do Estado, para o âmbito das ideologias que os acompanham,
creio que se deve orientar a análise do poder para
o âmbito da dominação (não da soberania), para o âmbito dos operadores materiais, para o âmbito das conexões e utilizações dos sistemas locais dessa sujeição e para o âmbito, enfim, dos dispositivos de saber.

Em suma, é preciso desenvencilhar-se do modelo do Leviatã, desse modelo de um homem artificial, a um só tempo autómato, fabricado e unitário igualmente, que envolveria todos os indivíduos reais, e cujo corpo seriam os cidadãos, mas cuja alma seria a soberania.

É preciso estudar o poder fora do Leviatã, fora do campo delimitado pela soberania jurídica e pela instituição do estado; trata-se de analisa-lo a partir das técnicas e tácticas de dominação.

Eis a linha metódica que, acho eu, se deve seguir, e que tentei seguir nessas diferentes pesquisas que realizamos nos anos anteriores a propósito do poder psiquiátrico, da sexualidade das crianças, do sistema punitivo, etc.”

espero q tenhas ficado perfeitamente elucidado sobre o lugar de Foucault e o que teria respondido “àquilo q alguns lhe apontam sobre adoptar um posicionamento em geral neutro e tal”…

como Derrida "descontroiria" a "vida nua"

 

“Jaques Derrida “O soberano Bem” , Coimbra, Portugal
Conferencia pronunciada na abertura de um colóquio internacional com o título A soberania Crítica, Desconstrução, aporias. (Em torno do pensamento de Jaques Derrida), organizada por Fernanda Bernardo (tradutora) na Universidade de Coimbra de 17 a 19 de Nov 2003
(…)
P.37 “Vamos mostrar já de caminho q n nos podemos interessar pelas relações da besta e do soberano, bem como por todas as questões do animal e do politico, da política e do animal, do homem e da besta quanto ao Estado, à Polis, à Cidade, á Republica, ao corpo social, à Lei em geral, à guerra e à paz, ao terror e ao terrorismo, ao terrorismo nacional e internacional, etc.,
sem reconhecer algum privilégio à figura do “lobo”; e não apenas na direcção de um certo Hobbes e desta fantástica fantasmática, insistente, recorrente alteração entre o homem e o lobo, entre ambos, o lobo para o homem, o homem para o lobo, o homem COMO lobo para o homem, o homem como género humano, desta vez, para além da diferença sexual, o homem e a mulher (homo homini lúpus, dizendo claramente este dativo que se trata também de um modo de, na interioridade do seu espaço humano, o homem se dar, se representar, se contar a si mesmo esta historia de lobo, um modo de escorraçar o lobo fazendo-o vir, caçando-o (chamam-lhe uveterie a esta caça aos lobos), num fantasma, numa narrativa, num mitema, numa fábula, num tropo, numa figura de retórica, aí onde o homem conta historia do político, a história da origem da sociedade, a história do contrato social, etc.: para o homem, o homem é um lobo)(…)
p.41
Não paramos de tentar pensar este devir-besta, este devir-animal de um soberano que é antes de mais um chefe de guerra e se determina como soberano ou como animal em face do inimigo. Ele é instituído soberano pela possibilidade do inimigo, por esta hostilidade em que SCHMITT pretendia reconhecer, a par da possibilidade do político, a própria possibilidade do soberano, da decisão e da excepção soberanas.”

‎(…)p.53
A única regra que, de momento, creio ser preciso acatar aqui é, não só não nos fiarmos nos limites oposicionais comummente acreditados entre o que se natureza e cultura, natureza/lei, physis/nomos, Deus, o homem e o animal ou ainda …de um “próprio do homem”, tanto quanto a de, no entanto, não misturarmos tudo e não nos precipitarmos por analogismos, para semelhanças ou identidades.

De cada vez que se põe a questão um limite oposicional, longe de se concluir pela identidade, é, pelo contrário, preciso multiplicar a atenção às DIFERENÇAS, refinar a análise num campo estruturado.

Para não ir buscar senão este exemplo, o mais próximo do nosso propósito, não bastará ter em conta o facto pouco contestável de que há sociedades animais refinadas e complicadas na organização das relações familiares e sociais em geral, na repartição do trabalho e das riquezas, na arquitectura, na herança de adquiridos, de bens ou de aptidões não inatas, na conduta da guerra e da paz, na hierarquia dos poderes, na instituição de um chefe absoluto (por consenso ou pela força se se puder distinguir), um chefe absoluto que tem direito de vida e de morte sobre os outros, com a possibilidade de revoltas, de reconciliações, de graças acordadas, etc.;

não bastará ter em consideração estes factos pouco contestáveis para daí concluir que há politico e sobretudo soberania em comunidades viventes não humanos. “Animal social” não quer necessariamente dizer animal político, nem toda a lei é necessariamente ética, jurídica ou política(…)

;) é uma outra concepção de “poder” como connatus, do micropoder, do estado com efeito e não como causa (ao ponte de se lutar pela escravidão como se fora a liberdade)… do espaço social como diagrama… agenciamento… para além e aquém do “Homem”…

Angelus novus de Klee e o excerto do texto do "Anjo da história" de Benjamim recebiam-nos à entrada

(mas vamos pegar, já agora, n apenas em Foucault como o q Agamben (aproveitando desde logo o lançamento do “estado de excepção” em Pt (por ex. critica ontem destacada aqui pelo Ípsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

"Estado de exclusão" de Agamben chega este trimestre a Pt

 

e q A Guerreiro (tradutor do Homo Sacer em 98, aponte-se) ;) , criticou no Expresso há 2 semanas, em simultâneo com o d “Anjo da Historia” do Benjamim, também acabado de lançar em Pt, num artigo a reter…

"Anjo da Histótia" de Benjamim chega este trimestre a Pt

e q nos obriga a recordar a Documenta XII em 2007, e as suas 3 questões:
(“Is modernity our antiquity?“; “WHAT IS BARE LIFE?”; and “What is to be done?“).

e q nos colocava logo à “entrada” perante o quadro de Klee e o comentário de Benjamim ao lado… dando o “tom” a toda a exposição e eventos associados.

Uma das iniciativas foi um muito estimulante desafio a publicações de referencia de todo o mundo no campo da teoria para abraçarem as 3 questões, o q foi “recusado” pela “Multitudes” q n alinha por este “tom” q é, no entanto, o verdadeiro status quo da inteligentia, como no mundo das artes e da critica respectiva (em Portugal então… Oscar Faria, com quem até simpatizo, desde 2007 q anda enfrascado em “iluminações messiânicas”, tendo na altura tratado de toda esta questão do “anjo da historia” e da “bare life” de Agamben… mas n tendo pegado na contestação por parte… dos… hum… bem…o pessoal da Multitudes >:)

Estes criaram um site e um desafio a artistas específicos como contraponto a todo esta “naturalização” de uma “certa leitura” de Foucault… absolutamente imperdível, quer pelos site em si (organiza TODO o material da Multitudes desde o primeiro número, em tudo que se relaciona com estética cruzado com as perguntas-desafio (reelaboradas) – só o sistema de navegação e de interligações “infograficas” é uma obra de arte em si ;) IMPERDÍVEL), quer pelas obras submetidas pelos artistas, como mesmo pelos textos das recusas (no canto inferior direito, em Trash). Um verdadeiro “ponto de situação teórico” neste campo (estético-politico) contrapondo-se à hegemonia” de uma certa leitura “critica” (nós lemos como deformadora) de Foucault…
http://multitudes-icones.samizdat.net/
(não deixes de ir, em baixo, ao “multitude-icones” e clicar em “números” ;) depois… navegar e uouuuuu!!! ;)
(relato breve da “polémica aqui http://transform.eipcp.net/correspondence/1184160172#redir:

tenho IMENSA pena q em Pt a malta tenha ficado a leste de todo este debate/polémica… até pk sinto q nos deixamos submeter ainda mais a esta “coisa” pseudo-foucauldiana, abençoada e promovida por uma certa “inteligentia” nova yorkina” d nariz aquilino e modos alemães >:)
(mto visível por cá na programação de Serralves e Culturgest, mas n só … isto é mais importante do q poderá parecer à primeira vista, quer em termos políticos, como estéticos como teóricos em geral… mesmo q a malta por cá n perceba à primeira e cite Deleuze e Benjamim, construtivismo genético e dialéctica negativa” na mesma frase sem chegar a ter noção d q afinal vivem num cérebro auto-contraditório e inconsistente… por cá fica sempre bem umas citações de autoridades q estão a bater l fora… ainda q l for a eles s batam entre eles LOL… é tudo a mesma “%$$%” (e estamos a 1 a estamos no da próxima Documenta… mas na verdade, por cá, estamos ainda a chegar há de 2007 LOL… desde logo pela tradução dos textos chave para perceber seja o q for!!!! ;)

depois tento explicar o pk desta “deriva” perante a tua pergunta sobre “ o q s diz d Foucault politico” ;)

Documenta 12 vs Multitudes

LOL (fica com mais uns copy pastes ;) … acredita q a tua questão m remete para tudo isto ;) (é o “estado d situação”…)
From: Eric Alliez
Date: Wed 21 March 2007 23:06:59 Europe/Paris
To: Jennifer Allen
Subject: Artforum

(…)
Not without relation to our culture of networked activism, our new site Multitudes-Icones seeks to generate interventions that will stimulate an “institutional critique” of the Documenta device by relating it to a broader reflection on politics of/in contemporary art.

To do this we will begin with a gesture of ironic affirmation, by sending back to the “artists” three questions (duly de-formed and trans-formed, that is to say, forced), and asking them to evaluate the impact of their “theoretical” positions on their selection (“questions-entries”) or non-selection (“answers-exits”) by Documenta. It goes without saying that all kinds of material (discursive or non-discursive, signifying or not signifying) are welcome.

Organized by entries and false exits in an open framework, each response can in its turn be articulated with others, so that hybrid or even “monstrous” answers are composed, transforming each user of the site into a curator-artist of (another?) virtual/real Documenta. Something that we might understand in terms of sublimation or desublimation, utopia or “liberating” dystopia.

A Critical Space will complete the project. Reserved for those identified or disidentified with art, but accessible to all the outcasts of the identifying regime, it will allow critics to organize and comment upon the three entries/exits based on their own evaluation of Documenta.”

_____________________
(A pergunta q nos interessa aqui ;)
Is bare life your apocalyptic political dimension?

If bare life deals with that part of our existence from which no measure of security will ever protect us, how do you feel in your real life with regard to your participation/non-participation in D12? Tortured, lyrical or even ecstatic?

Is the concentration camp a useful paradigm for you?
How can bare life be experienced by an audience?

(Did you ever read Agamben in a state of exception? Crying or laughing?) LOL!!!! ;)

(mas s leste Agamben e tens andado atento saberás q hj, debater Foucault é enfrentar estas “leituras”

Hibrido Mutante ‎(n por acaso, o artigo da semana passada do A. Guerreiro era sobre o lançamento em Pt do “O Espectador Emancipado” do Ranciere.. com um comentário à foto d pag inteira, qq coisa como “um dos mais importantes pensadores politicos da actualidade”… e é mais uma leitura de Foucault ;) a tal politica por um “defensor da democracia” :)

Josef Castro isto promete :) )

Contemporâneo ou Anacrónico

tentado situar as (aparentes) divagações  (aqui) :) e para situar “aquilo q alguns lhe apontam sobre adoptar um posicionamento em geral neutro e tal de Foucault… “
Pk isso me lembrou logo de Agamben ;) … e como poderia indicar-te como tenderia a discordar “aquilo q alguns lhe apontam”, não apenas eu como, por ex. Aliez ;) etc etc etc… até me poderia ter lembrado da exposição actualmente em Serralves e… :S
sorry to many dots… live in hiperlink :D

O Poder soberano e a vida nua – Homo Sacer” (1º vol.) – Giorgio Agamben,
trad. António Guerreiro, ed. Presença ;)

(2ª vol. é ” Estado de excepção” em Pt, ontem, aqui pelo Ipsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

p. 16 “(…) Nos últimos escritos, Foucault afirma que o Estado ocidental moderno integrou, num grau sem precedentes,
técnicas de individuação subjectivas
e processos de totalização das estruturas do poder moderno” (Foucaut 3, pp. 229-232).
No entanto, na sua investigação, Foucault não esclareceu o ponto de convergência destes dois aspectos do poder, de tal modo que se chegou a afirmar que ele teria constantemente recusado elaborar uma teoria unitária do poder. Se Foucault
contesta a abordagem tradicional ao problema do poder, baseada exclusivamente em modelos jurídicos (“o que é que legitima o
poder?”)
ou em modelos institucionais (“o que é o Estado”?)
e propõe “libertar-se do privilégio da soberania “ (Foucault 1, p.80) para construir uma analítica do poder que já não tenha como modelo e como código o direito, onde está então, no corpo do poder, a zona de indiferença (ou, pelo menos, o ponto de intersecção) onde as técnicas de individuação e os processos totalizantes se tocam? E, de maneira mais geral, existe um centro unitário onde o “duplo laço” político encontra a sua razão de ser? Que havia um aspecto subjectivo na génese do poder, estava já implícito no conceito de servitude volontaire em La Boétie; mas qual é o ponto em que a servidão dos indivíduos comunica com o poder objectivo? É possível, num âmbito tão decisivo, contentarmo-nos com explicações psicológicas, como aquela, embora cheia de sugestões, que estabelece um paralelismo entre neuroses externas e internas? E perante fenómenos como o poder mediático-espectacular, que está hoje por todo o lado a transformar o espaço político, é legítimo ou mesmo apenas possível manter a distinção entre tecnologias subjectivas e técnicas políticas?

Se bem que a existência de uma tal orientação pareça logicamente implícita nas investigações de Foucault,
ela é um ponto cego no campo visual,
algo que o olhar do investigador não pode alcançar, ou um ponto de fuga que se distancia no infinito, para o qual as diversas linhas de perspectiva da sua pesquisa (e, mais geral, de toda reflexão ocidental sobre o poder) convergem sem nunca o poder atingir.
O presente trabalho diz respeito precisamente a este secreto ponto de cruzamento entre o modelo jurídico-institucional e o modelo biopolitico do poder. Uma das conclusões obrigatórias a que se chegou é precisamente a de que as duas análises não podem ser separadas e que a implicação da vida nua na esfera política constitui o núcleo originário – ainda que oculto – do poder soberano. Pode pois dizer-se que a produção do corpo BIOPOLITICO é o acto original do poder soberano. A biopolítica é, neste sentido, pelo menos tão antiga quanto a excepção soberana. Colocando a vida biológica no centro dos seus desígnios, o Estado moderno não faz mais do que trazer à luz a relação secreta que une o poder à vida nua, restabelecendo assim a ligação (segundo uma persistente correspondência entre moderno e arcaico que pode ser observada que pode ser observada nos âmbitos mais diversos) com o mais imemorial dos arcana imperi.”

p.20 “(…) A definição de Schmitt da soberania (“soberano é aquele que decide sobre o estado de excepção”) tornou-se um lugar comum, ainda antes de se ter compreendido o que nela estava verdadeiramente em questão, ou seja, nada menos que o conceito-limite da doutrina do Estado e do direito, em que esta (uma vez que todo o conceito-limite é sempre o limite entre dois conceitos confina com a esfera da vida e confunde-se com ela (…)
Hoje, num momento em que as grandes estruturas estatais entraram em processo de dissolução e a excepção, como PREVIU BENJAMIN, se tornou a regra, é tempo de ver numa perspectiva completamente nova o problema dos limites e da estrutura orginária do Estado, uma vez que a insuficiência da critica anarquista e marxista do Estado devia-se precisamente a não ter sequer pressentido esta estrutura e a ter deixado assim apressadamente de lado o arcanum imperii como se para além dos simulacros e das ideologias invocadas para o justificar, ele não tivesse consistência. Mas, mais tarde ou mais cedo, acaba por se identificar com um inimigo cuja estrutura permaneceu desconhecida, e a teoria do Estado (e em particular a do estado de excepção, ou seja a ditadura do proletariado como fase de transicção para a sociedade sem Estado) é precisamente o escolho onde as revoluções do nosso século naufragaram.”

O Poder soberano e a vida nua – Homo Sacer” – Giorgio Agamben,
trad. António Guerreiro, ed. Presença ;)
1º volume

(2ª vol. é ” Estado de excepção” em Pt, ontem, aqui pelo Ipsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

 

‎… agora.. perante esta leitura, consistente, “dominante”, “actual”, “activável”, de uma boa-alma com “boa-vontade” e “natureza-recta” militante, como é k no Fb te vou conseguir sintetizar q isto, passando por “leitura contemporânea sobre… a neutralidade de Foucault” é “Aristoteles-kant-Marx”e mta Arendt— heidegger… não (Espinosa) Leibniz-Nietzsche… q isto é um retorno ao “Homem”… a moral a querer submeter a ética pelo trabalho do negativo e da paranóia (uma teoria “total do Poder” q Foucalt n terá querido elaborar depois da critica e da clínica de “anti-édipo” em Fr e mais além … ;) … que isto é um efeito… uma ilusão transcendental… um velho regime de loucura (paranóico)… um retorno aos imperativos morais por submissão e torção de uma potencia ética… q isto n é pensar diagramas de forças ou agenciamentos do desejo… produção, mesmo da própria escravidão..

que é d novo o “bom selvagem” (e lá me relembro, como se fosse já “senso comum”, da profunda, memorável e decisiva critica de Derrida ao seu antigo prof, Foucault e o seu paragrafo sobre Descarte, em 60s, levando a um aprofundamento decisivo da reflexão sobre o “bom selvagem” na “loucura” por aqueles lados…
http://www.scielosp.org/pdf/csp/v14n3/0102.pdf
(só espreitei, mas pode dar uma ideia do q falo Foucault-Derrida em 60s… e tenho d falar aqui…
… mas estou no Fb… a tua pergunta é-me bastante complicada… espero q o rizoma deixado t possa servir para situares o teu Foucault “e o q certos dizem e e tal” :)

Hibrido Mutante

‎(a “zôê” contraposta paranoicamente ao “bios”),
“Levando a cabo a tarefa metafísica que a levou a assumir cada vez mais a forma biopolitica, a politica não conseguiu construir a articulação entre zôê e bios, entre VOZ e LINGUAGEM que lhe ter…ia reduzido a fractura. A VIDA NUA permanece ligada a ela na forma da excepção, isto é, de algo incluído só através de uma exclusão.
Como é possível “politizar a “DOÇURA NATURAL” da zôê? E, sobretudo, terá esta verdadeiramente necessidade de ser politizada ou o político já faz parte dela como o seu núcleo mais precioso?
… como se atrever a discordar, sem o devido tempo e cuidados, com estas “belas palavras”:
”E, sobretudo, terá esta verdadeiramente necessidade de ser politizada ou o político já faz parte dela como seu núcleo mais precioso? A biopolitica do totalitarismo moderno, por um lado, e a sociedade de consumo e do hedonismo de massas por outro, constituem certamente, cada uma à sua maneira, uma resposta a esta pergunta. Porém, enquanto não surgir uma política integralmente nova – isto é, já não FUNDADA na exeptio da vida nua -, toda a teoria e toda a praxis permanecerão prisioneiras de uma ausência de vida,e o “belo dia” da vida só alcançará cidadania política através dp sangue e da morte ou na perfeita insensatez a que o condena a sociedade de espectáculo”.

p.20
aqui, na oposição (dialéctica, hilomorfica) da zôê e da bios de Agamben, não há lobos… a não ser culturais… só nos podemos lembrar de Derrida (aqui) (mas é sempre Nietzsche por aqui… não Aristóteles)

 

Sobre criticas contemporaneas (ou anacrónicas?) a Foucault

Paul Ming

Nouvelles philosophiques: Michel Foucault Audio Archive

nouvelles-philosophiques.blogspot.com

Recordings in French:
Il faut défendre la société, 1976
Sécurité, territoire, population, 1978;
Naissance de la biopolitique, 1979;
Gouvernement de soi et des autres, 1983;
Courage de la vérité, 1984

Tu, Pedro Goulão Taborda e Josef Castro gostam disto.

Josef Castro UAU :)

Hibrido Mutante uou!!

Paul Ming Oh hibrido, discorre aí um cadinho sobre o q achas ser o posicionamento politico do F. :)
N me refiro tanto ao percurso político per si, mas, u know, aquilo q alguns lhe apontam sobre adoptar um posicionamento em geral neutro e tal… :)

Pedro Goulão Taborda ‎,)! uai ai ai.

Hibrido Mutante

‎;) apontado” :) agora estou no trabalho mas logo pego nisto :) e tenho umas surpresas para partilhar q estou certo vais gostar, “my radical friend” ;)
(mas vamos pegar, já agora, n apenas em Foucault como o q Agamben (aproveitando desde logo o lançamento do “estado de excepção” em Pt (por ex. critica ontem destacada aqui pelo Ípsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

e q A Guerreiro (tradutor do Homo Sacer em 98, aponte-se) ;) , criticou no Expresso há 2 semanas, em simultâneo com o d “Anjo da Historia” do Benjamim, também acabado de lançar em Pt, num artigo a reter…

e q nos obriga a recordar a Documenta XII em 2007, e as suas 3 questões:
(“Is modernity our antiquity?“; “WHAT IS BARE LIFE?”; and “What is to be done?“).

e q nos colocava logo à “entrada” perante o quadro de Klee e o comentário de Benjamim ao lado… dando o “tom” a toda a exposição e eventos associados.

Uma das iniciativas foi um muito estimulante desafio a publicações de referencia de todo o mundo no campo da teoria para abraçarem as 3 questões, o q foi “recusado” pela “Multitudes” q n alinha por este “tom” q é, no entanto, o verdadeiro status quo da inteligentia, como no mundo das artes e da critica respectiva (em Portugal então… Oscar Faria, com quem até simpatizo, desde 2007 q anda enfrascado em “iluminações messiânicas”, tendo na altura tratado de toda esta questão do “anjo da historia” e da “bare life” de Agamben… mas n tendo pegado na contestação por parte… dos… hum… bem…o pessoal da Multitudes >:)

Estes criaram um site e um desafio a artistas específicos como contraponto a todo esta “naturalização” de uma “certa leitura” de Foucault… absolutamente imperdível, quer pelos site em si (organiza TODO o material da Multitudes desde o primeiro número, em tudo que se relaciona com estética cruzado com as perguntas-desafio (reelaboradas) – só o sistema de navegação e de interligações “infograficas” é uma obra de arte em si ;) IMPERDÍVEL), quer pelas obras submetidas pelos artistas, como mesmo pelos textos das recusas (no canto inferior direito, em Trash). Um verdadeiro “ponto de situação teórico” neste campo (estético-politico) contrapondo-se à hegemonia” de uma certa leitura “critica” (nós lemos como deformadora) de Foucault…
http://multitudes-icones.samizdat.net/
(não deixes de ir, em baixo, ao “multitude-icones” e clicar em “números” ;) depois… navegar e uouuuuu!!! ;)
(relato breve da “polémica aqui http://transform.eipcp.net/correspondence/1184160172#redir:

tenho IMENSA pena q em Pt a malta tenha ficado a leste de todo este debate/polémica… até pk sinto q nos deixamos submeter ainda mais a esta “coisa” pseudo-foucauldiana, abençoada e promovida por uma certa “inteligentia” nova yorkina” d nariz aquilino e modos alemães >:)
(mto visível por cá na programação de Serralves e Culturgest, mas n só … isto é mais importante do q poderá parecer à primeira vista, quer em termos políticos, como estéticos como teóricos em geral… mesmo q a malta por cá n perceba à primeira e cite Deleuze e Benjamim, construtivismo genético e dialéctica negativa” na mesma frase sem chegar a ter noção d q afinal vivem num cérebro auto-contraditório e inconsistente… por cá fica sempre bem umas citações de autoridades q estão a bater l fora… ainda q l for a eles s batam entre eles LOL… é tudo a mesma “%$$%” (e estamos a 1 a estamos no da próxima Documenta… mas na verdade, por cá, estamos ainda a chegar há de 2007 LOL… desde logo pela tradução dos textos chave para perceber seja o q for!!!! ;)

depois tento explicar-te o pk desta “deriva” perante a tua pergunta sobre “ o q s diz d Foucault politico” ;)
ABS amigo

Pedro Goulão Taborda ob.do ,).

Paul Ming este Goulão é cá um okupa do caraças, lol
toma lá, pá http://soundcloud.com/platform/boiler-room-x-goodhood-floating-points

Paul Ming Ok, Hibrido, se tas no trab e já escreveste isso td, então nem quero imaginar se te perguntasse isto no dia de natal :P
Vou ler e fico então a aguardar algo mais, thx 0/

Pedro Goulão Taborda ‎,) hábito chinês , dou-me mal c vazio Ming.

Hibrido Mutante

LOL (fica com mais uns copy pastes ;) … acredita q a tua questão m remete para tudo isto ;) (é o “estado d situação”…)
From: Eric Alliez
Date: Wed 21 March 2007 23:06:59 Europe/Paris
To: Jennifer Allen
Subject: Artforum

(…)
Not without relation to our culture of networked activism, our new site Multitudes-Icones seeks to generate interventions that will stimulate an “institutional critique” of the Documenta device by relating it to a broader reflection on politics of/in contemporary art.

To do this we will begin with a gesture of ironic affirmation, by sending back to the “artists” three questions (duly de-formed and trans-formed, that is to say, forced), and asking them to evaluate the impact of their “theoretical” positions on their selection (“questions-entries”) or non-selection (“answers-exits”) by Documenta. It goes without saying that all kinds of material (discursive or non-discursive, signifying or not signifying) are welcome.

Organized by entries and false exits in an open framework, each response can in its turn be articulated with others, so that hybrid or even “monstrous” answers are composed, transforming each user of the site into a curator-artist of (another?) virtual/real Documenta. Something that we might understand in terms of sublimation or desublimation, utopia or “liberating” dystopia.

A Critical Space will complete the project. Reserved for those identified or disidentified with art, but accessible to all the outcasts of the identifying regime, it will allow critics to organize and comment upon the three entries/exits based on their own evaluation of Documenta.”

_____________________
(A pergunta q nos interessa aqui ;)
Is bare life your apocalyptic political dimension?

If bare life deals with that part of our existence from which no measure of security will ever protect us, how do you feel in your real life with regard to your participation/non-participation in D12? Tortured, lyrical or even ecstatic?

Is the concentration camp a useful paradigm for you?
How can bare life be experienced by an audience?

(Did you ever read Agamben in a state of exception? Crying or laughing?) LOL!!!! ;)

(mas s leste Agamben e tens andado atento saberás q hj, debater Foucault é enfrentar estas “leituras”

Hibrido Mutante ‎(n por acaso, o artigo da semana passada do A. Guerreiro era sobre o lançamento em Pt do “O Espectador Emancipado” do Ranciere.. com um comentário à foto d pag inteira, qq coisa como “um dos mais importantes pensadores politicos da actualidade”… e é mais uma leitura de Foucault ;) a tal politica por um “defensor da democracia” :)

Josef Castro isto promete :) )

Hibrido Mutante

‎(em nova “reunite”, a teclar “suavemente” LOL ;) … pois… acho q exagerei na promessa LOL … isto daria na verdade “pano para mangas” q n cabem no Fb… ainda deveria passar pelo último e monumental seminário de Derrida na EHESS em 200…1-2002 e 2002-2003(La bete et le souverain” – critica interessante aqui
http://www.actu-philosophia.com/spip.php?article96),
assim como outros txts dele em redor da soberania , desde logo no “Força de lei” sobre “a excepção do soberano” em Benjamim (o texto mais “violento” q alguma vez li… perturbante), j existente em pt, etc… e qdo déssemos por nós… l estaria de novo na última intervenção “oficial” de Derrida, sobre a betise (e a soberania) em Deleuze…
(em vídeo aqui… o q há d mais precioso e actual hj em dia para pensar.. e pensar e pensar…
http://www.youtube.com/watch?v=I_r-gr3ccik
mto mto pano para mangas… mas é q realmente o k m anda a fazer pensar nos últimos tempos… bem… tentarei deixar um sumário da minha “perspectiva” sobre o político em Foucault… e depois conforme comentários (ou sua ausência :) desenvolver um ponto ou outro ou encostar o assunto ;) … e um tipo pega numa ponta e vem tudo atrás (e logo o “político em Foucault” amigo ;)

(o livro de Agamben aqui
http://www.scribd.com/doc/12704645/agamben-state-of-exception?in_collection=2309818
“tudo dele” aqui
http://www.scribd.com/document_collections/2309818

mas s estiverem mesmo interessados neste tema “quente” penso q encontram j imenso sumo nos liks q deixei :)
(e j estava a pensar em ti Josef ;) ou pelo menos do q imagino q t interessa pelos teus posts q tanto aprecio (tal como os do Ming :)

Paul Ming

OK, oh Hibrido, obg pelas incursões q fizeste atrás, mas, a menos q consigas sintetizar essas (aparentes) divagações sobre coisas como conceito de soberania, estado de excepção, multitudes etc, n tou mesmo a ver q direcção pretendes tomar p…ara explanares o q te perguntei sobre o F.
De tds os links, o q achei mais interessante e co-relativo ainda foi mesmo o do seminário EHESS do Derrida e terei q voltar a ele para ler mais atentamente..
De todo modo, mesmo neste n tou a ver alguma relação com o F relativamente ao q te perguntei que n seja da ordem do mutuamente repulsivo :)
Fico então no aguardo do teu sumario – de preferência mais focado.. o.O

ABRÇ

Josef Castro oops :) ) e eu q ainda n fiz o tpc

Hibrido Mutante

‎:) Percebo-te ;) dá-me um desconto…. estava em reuniões a 60%…
tentado situar as (aparentes) divagações :) e para situar “aquilo q alguns lhe apontam sobre adoptar um posicionamento em geral neutro e tal… “
Pk me lembrei logo de Agamben ;) … e como poderia indicar-te como tenderia a discordar “aquilo q alguns lhe apontam”, não apenas eu como, por ex. Aliez ;) etc etc etc… até me poderia ter lembrado da exposição actualmente em Serralves e… :S
sorry to many dots… live in hiperlink :D

O Poder soberano e a vida nua – Homo Sacer” – Giorgio Agamben,
trad. António Guerreiro, ed. Presença ;)
(2ª vol. é ” Estado de excepção” em Pt, ontem, aqui pelo Ipsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

“(…) Nos últimos escritos, Foucault afirma que o Estado ocidental moderno integrou, num grau sem precedentes,
técnicas de individuação subjectivas
e processos de totalização das estruturas do poder moderno” (Foucaut 3, pp. 229-232).
No entanto, na sua investigação, Foucault não esclareceu o ponto de convergência destes dois aspectos do poder, de tal modo que se chegou a afirmar que ele teria constantemente recusado elaborar uma teoria unitária do poder. Se Foucault
contesta a abordagem tradicional ao problema do poder, baseada exclusivamente em modelos jurídicos (“o que é que legitima o
poder?”)
ou em modelos institucionais (“o que é o Estado”?)
e propõe “libertar-se do privilégio da soberania “ (Foucault 1, p.80) para construir uma analítica do poder que já não tenha como modelo e como código o direito, onde está então, no corpo do poder, a zona de indiferença (ou, pelo menos, o ponto de intersecção) onde as técnicas de individuação e os processos totalizantes se tocam? E, de maneira mais geral, existe um centro unitário onde o “duplo laço” político encontra a sua razão de ser? Que havia um aspecto subjectivo na génese do poder, estava já implícito no conceito de servitude volontaire em La Boétie; mas qual é o ponto em que a servidão dos indivíduos comunica com o poder objectivo? É possível, num âmbito tão decisivo, contentarmo-nos com explicações psicológicas, como aquela, embora cheia de sugestões, que estabelece um paralelismo entre neuroses externas e internas? E perante fenómenos como o poder mediático-espectacular, que está hoje por todo o lado a transformar o espaço político, é legítimo ou mesmo apenas possível manter a distinção entre tecnologias subjectivas e técnicas políticas?

Se bem que a existência de uma tal orientação pareça logicamente implícita nas investigações de Foucault,
ela é um ponto cego no campo visual,
algo que o olhar do investigador não pode alcançar, ou um ponto de fuga que se distancia no infinito, para o qual as diversas linhas de perspectiva da sua pesquisa (e, mais geral, de toda reflexão ocidental sobre o poder) convergem sem nunca o poder atingir.
O presente trabalho diz respeito precisamente a este secreto ponto de cruzamento entre o modelo jurídico-institucional e o modelo biopolitico do poder. Uma das conclusões obrigatórias a que se chegou é precisamente a de que as duas análises não podem ser separadas e que a implicação da vida nua na esfera política constitui o núcleo originário – ainda que oculto – do poder soberano. Pode pois dizer-se que a produção do corpo BIOPOLITICO é o acto original do poder soberano. A biopolítica é, neste sentido, pelo menos tão antiga quanto a excepção soberana. Colocando a vida biológica no centro dos seus desígnios, o Estado moderno não faz mais do que trazer à luz a relação secreta que une o poder à vida nua, restabelecendo assim a ligação (segundo uma persistente correspondência entre moderno e arcaico que pode ser observada que pode ser observada nos âmbitos mais diversos) com o mais imemorial dos arcana imperi.”
p. 16
get it… hope so :D

Hibrido Mutante

produzindo híbridos., conecting dots ;)

“(…) A definição de Schmitt da soberania (“soberano é aquele que decide sobre o estado de excepção”) tornou-se um lugar comum, ainda antes de se ter compreendido o que nela estava verdadeiramente em questão, ou seja, nada menos que o conceito-limite da doutrina do Estado e do direito, em que esta (uma vez que todo o conceito-limite é sempre o limite entre dois conceitos confina com a esfera da vida e confunde-se com ela (…)
Hoje, num momento em que as grandes estruturas estatais entraram em processo de dissolução e a excepção, como PREVIU BENJAMIN, se tornou a regra, é tempo de ver numa perspectiva completamente nova o problema dos limites e da estrutura orginária do Estado, uma vez que a insuficiência da critica anarquista e marxista do Estado devia-se precisamente a não ter sequer pressentido esta estrutura e a ter deixado assim apressadamente de lado o arcanum imperii como se para além dos simulacros e das ideologias invocadas para o justificar, ele não tivesse consistência. Mas, mais tarde ou mais cedo, acaba por se identificar com um inimigo cuja estrutura permaneceu desconhecida, e a teoria do Estado (e em particular a do estado de excepção, ou seja a ditadura do proletariado como fase de transicção para a sociedade sem Estado) é precisamente o escolho onde as revoluções do nosso século naufragaram.”
p.20
O Poder soberano e a vida nua – Homo Sacer” – Giorgio Agamben,
trad. António Guerreiro, ed. Presença ;)
1º volume

(2ª vol. é ” Estado de excepção” em Pt, ontem, aqui pelo Ipsilon:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=271175,

Hibrido Mutante

‎… agora.. perante esta leitura, consistente, “dominante”, “actual”, “activável”, de uma boa-alma com “boa-vontade” e “natureza-recta” militante, como é k no Fb te vou conseguir sintetizar q isto, passando por “leitura contemporânea sobre… a neutralidade de Foucault” é “Aristoteles-kant-Marx”e mta Arendt— heidegger… não (Espinosa) Leibniz-Nietzsche… q isto é um retorno ao “Homem”… a moral a querer submeter a ética pelo trabalho do negativo e da paranóia (uma teoria “total do Poder” q Foucalt n terá querido elaborar depois da critica e da clínica de “anti-édipo” em Fr e mais além … ;) … que isto é um efeito… uma ilusão transcendental… um velho regime de loucura (paranóico)… um retorno aos imperativos morais por submissão e torção de uma potencia ética… q isto n é pensar diagramas de forças ou agenciamentos do desejo… produção, mesmo da própria escravidão..

que é d novo o “bom selvagem” (e lá me relembro, como se fosse já “senso comum”, da profunda, memorável e decisiva critica de Derrida ao seu antigo prof, Foucault e o seu paragrafo sobre Descarte, em 60s, levando a um aprofundamento decisivo da reflexão sobre o “bom selvagem” na “loucura” por aqueles lados…
http://www.scielosp.org/pdf/csp/v14n3/0102.pdf
(só espreitei, mas pode dar uma ideia do q falo Foucault-Derrida em 60s… e tenho d falar aqui…
… mas estou no Fb… a tua pergunta é-me bastante complicada… espero q o rizoma deixado t possa servir para situares o teu Foucault “e o q certos dizem e e tal” :)

Hibrido Mutante

‎(a “zôê” contraposta paranoicamente ao “bios”),
“Levando a cabo a tarefa metafísica que a levou a assumir cada vez mais a forma biopolitica, a politica não conseguiu construir a articulação entre zôê e bios, entre VOZ e LINGUAGEM que lhe ter…ia reduzido a fractura. A VIDA NUA permanece ligada a ela na forma da excepção, isto é, de algo incluído só através de uma exclusão.
Como é possível “politizar a “DOÇURA NATURAL” da zôê? E, sobretudo, terá esta verdadeiramente necessidade de ser politizada ou o político já faz parte dela como o seu núcleo mais precioso?
… como se atrever a discordar, sem o devido tempo e cuidados, com estas “belas palavras”:
”E, sobretudo, terá esta verdadeiramente necessidade de ser politizada ou o político já faz parte dela como seu núcleo mais precioso? A biopolitica do totalitarismo moderno, por um lado, e a sociedade de consumo e do hedonismo de massas por outro, constituem certamente, cada uma à sua maneira, uma resposta a esta pergunta. Porém, enquanto não surgir uma política integralmente nova – isto é, já não FUNDADA na exeptio da vida nua -, toda a teoria e toda a praxis permanecerão prisioneiras de uma ausência de vida,e o “belo dia” da vida só alcançará cidadania política através dp sangue e da morte ou na perfeita insensatez a que o condena a sociedade de espectáculo”.

p.20
aqui, na oposição (dialéctica, hilomorfica) da zôê e da bios de Agamben, não há lobos… a não ser culturais…

Hibrido Mutante

Porque acho q aqui, Derrida pode fazer um trabalho mais incisivo e produtivo… embora depois… tivesse de me deslocar dele (tal como de Foucault, para mais perto de Deleuze e Guattari…), aqui fica (olha q deu trabalho e nem sei s vais ter pachorra para ler LOL ;) pode ser q depois de para qq outra coisa… fica feito…:

“Jaques Derrida “O soberano Bem” , Coimbra, Portugal
Conferencia pronunciada na abertura de um colóquio internacional com o título A soberania Crítica, Desconstrução, aporias. (Em torno do pensamento de Jaques Derrida), organizada por Fernanda Bernardo (tradutora) na Universidade de Coimbra de 17 a 19 de Nov 2003
(…)
P.37 “Vamos mostrar já de caminho q n nos podemos interessar pelas relações da besta e do soberano, bem como por todas as questões do animal e do politico, da política e do animal, do homem e da besta quanto ao Estado, à Polis, à Cidade, á Republica, ao corpo social, à Lei em geral, à guerra e à paz, ao terror e ao terrorismo, ao terrorismo nacional e internacional, etc.,
sem reconhecer algum privilégio à figura do “lobo”; e não apenas na direcção de um certo Hobbes e desta fantástica fantasmática, insistente, recorrente alteração entre o homem e o lobo, entre ambos, o lobo para o homem, o homem para o lobo, o homem COMO lobo para o homem, o homem como género humano, desta vez, para além da diferença sexual, o homem e a mulher (homo homini lúpus, dizendo claramente este dativo que se trata também de um modo de, na interioridade do seu espaço humano, o homem se dar, se representar, se contar a si mesmo esta historia de lobo, um modo de escorraçar o lobo fazendo-o vir, caçando-o (chamam-lhe uveterie a esta caça aos lobos), num fantasma, numa narrativa, num mitema, numa fábula, num tropo, numa figura de retórica, aí onde o homem conta historia do político, a história da origem da sociedade, a história do contrato social, etc.: para o homem, o homem é um lobo)(…)
p.41
Não paramos de tentar pensar este devir-besta, este devir-animal de um soberano que é antes de mais um chefe de guerra e se determina como soberano ou como animal em face do inimigo. Ele é instituído soberano pela possibilidade do inimigo, por esta hostilidade em que SCHMITT pretendia reconhecer, a par da possibilidade do político, a própria possibilidade do soberano, da decisão e da excepção soberanas.”

Hibrido Mutante

‎(…)p.53
A única regra que, de momento, creio ser preciso acatar aqui é, não só não nos fiarmos nos limites oposicionais comummente acreditados entre o que se natureza e cultura, natureza/lei, physis/nomos, Deus, o homem e o animal ou ainda …de um “próprio do homem”, tanto quanto a de, no entanto, não misturarmos tudo e não nos precipitarmos por analogismos, para semelhanças ou identidades.

De cada vez que se põe a questão um limite oposicional, longe de se concluir pela identidade, é, pelo contrário, preciso multiplicar a atenção às DIFERENÇAS, refinar a análise num campo estruturado.

Para não ir buscar senão este exemplo, o mais próximo do nosso propósito, não bastará ter em conta o facto pouco contestável de que há sociedades animais refinadas e complicadas na organização das relações familiares e sociais em geral, na repartição do trabalho e das riquezas, na arquitectura, na herança de adquiridos, de bens ou de aptidões não inatas, na conduta da guerra e da paz, na hierarquia dos poderes, na instituição de um chefe absoluto (por consenso ou pela força se se puder distinguir), um chefe absoluto que tem direito de vida e de morte sobre os outros, com a possibilidade de revoltas, de reconciliações, de graças acordadas, etc.;

não bastará ter em consideração estes factos pouco contestáveis para daí concluir que há politico e sobretudo soberania em comunidades viventes não humanos. “Animal social” não quer necessariamente dizer animal político, nem toda a lei é necessariamente ética, jurídica ou política(…)

;) é uma outra concepção de “poder” como connatus, do micropoder, do estado com efeito e não como causa (ao ponte de se lutar pela escravidão como se fora a liberdade)… do espaço social como diagrama… agenciamento… para além e aquém do “Homem”…

Josef Castro mas é que f. recusou-se MESMO a elaborar uma teoria do poder unitária, como aliás explicitamente afirma no “Il faut défendre la soc..”, “Territoire, pop…” e “La naissance de la biopolitique…” :) ; o(s) ponto(s) de articulação: aí, é descer as escadas e olhar de baixo…

Hibrido Mutante ‎… hum :) e isso para ti é bom ou mau (n propriamente bem ou mal LOL ;)

Josef Castro eu gosto das falhas… das rugosidades :)

Hibrido Mutante

‎:)
ah… o link que de ide Derrida sobre Deleuze (precioso ;) tal como de resto, o q o do icones da Multitdues :P ,
apesar da estupidez de quem traduziu para o Youtube, o título(!!! generosity???!!!) é “The transcendental stupidity (“Betise”, “…besteira”) of Man and the becoming-animal according to Deleuze trascrita em “Derida. Deleuze, Psychoanalysis”, editor Gabrielle Schwab, ainda editada por Derrida, mas publicada j depois de falecer. E só posso dizer q anda em redor do “próprio do Homem”, da besta (e da betise) e do soberano (e da autonomia)… e o lugar do fantasma e do desejo… txt para pensar por mais uns anos…

Paul Ming é impressão minha ou o goulão postou e apagou o comentário q seria o mais interessante?? lol, q toino!
depois volto pra ler tudo :P

Hibrido Mutante

Bem… finalizando a “assemblagem” de ontem (era tarde e fui descansar ;) , o que diz então Foucault, ou melhor, o que foi dizendo Foucault (porque há quem se “agarre” a diferentes períodos da sua obra “como se fosse a “última”).

Deixo-te a citação do importante seminário “Em defesa da sociedade”. Se, como descreveu Deleuze, Foucault passa por 3 fases (Saber-Poder-Subjectivação), este é sem dúvida um momento charneira entre o segundo e o terceiro momento do seu pensamento ;) . Espero que dê sentido a tudo q “divaguei” anteriormente (sendo q a citação d Derrida m parece aqui mais incisiva ;)
Vou dividir em vários posts (já de si compridos… desculpa qq coisa ;)
Abraço pá :)

Hibrido Mutante

Foucault “Em defesa da sociedade” ; Aula 7 de Janeiro de 1976
p.24
“(…) Poderíamos pois contrapor 2 grandes sistemas de análise do poder:

1) Um, que seria ao velho sistema que vocês encontram nos filósofos do sec XVIII, se articularia 3m torno do poder como direito original que se cede , constitutivo da soberania, e tendo o CONTRATO como matriz do poder politico. E haveria o risco desse poder assim constituído, quando ultrapassa a si mesmo, ou seja, quando vai além dos próprios termos do contrato, torna-se opressão. PODER-CONTRATO, tendo como limite, ou melhor, como ultrapassagem, d limite, a opressão.

2) E vocês teriam outro sistema, que tentaria, pelo contrário, analisar o poder político não mais de acordo com o esquema contrato-opressão, mas de acordo com o esquema GERRA-REPRESSÂO. E, nesse momento, a repressão não é o que era a opressão em relação ao contrato, ou seja, um abuso, mas ao contrário, o simples efeito e o simples prosseguimento de uma relação de dominação. A repressão nada mais seria que o emprego, no interior dessa pseudopaz solapada por uma guerra contínua, de uma relação de força perpétua.

Portanto, 2 esquemas de análise do poder: o esquema CONTRATO-opressão, 2ue é, se vocês preferirem, o esquema jurídico, e o esquema GUERRA-repressão, ou dominação-repressão, no qual a oposição pertinente não é a do legítimo e do ilegítimo, como no esquema precedente, mas a oposição entre luta e submissão.

É evidente que tudo que eu lhes disse ao longo dos anos anteriores se insere do lado do esquema GUERRA-repressão. Foi este esquema que, de fato, eu tentei aplicar.”

Hibrido Mutante

‎” Ora, à medida que eu o aplicava (o esquema GUERRA-repressão), fui levado mesmo assim a RECONSIDERA-LO; ao mesmo tempo, claro, porque numa porção de pontos ele ainda está insuficientemente elaborado – eu diria mesmo que está totalmente inelaborado – e também creio que as duas noções de “repressão” e de “guerra”, devem ser consideravelmente modificadas, quando não, talvez, no limite, ABANDONADAS.

Em todo o caso, é preciso olhar um pouco mais de perto a hipótese de que os mecanismos de poder seriam essencialmente mecanismo de repressão, e a outra hipótese de que, sob o poder político, o que paira e o que funciona, é essencialmente e acima de tudo uma relação belicosa.

Acho, e não digo isto para me gabar, que já faz bastante tempo que desconfio dessa noção de “repressão”, e tentei mostrar-lhes, justamente a propósito das genealogias de que eu falava agora há pouco, a propósito da história e do direito penal, do poder psiquiátrico, do controle da sexualidade infantil, etc. que os mecanismos empregues nessas formações de poder ERAM ALGO MUITO DIFERENTE da repressão; em todo o caso, eram bem mais do que ela. Por conseguinte, as próximas aulas serão dedicadas à retomada da crítica da noção de REPRESSÃO, de tão corrente hoje em dia, para caracterizar os mecanismos e os efeitos de poder, é totalmente INSUFICIENTE para demarcá-los.”

Hibrido Mutante

Aula 14 de Janeiro de 1976 p.32
“(cinco) Precauções de método;
1) Primeiro, não se trata de analisar formas regulamentadas e legitimas do poder no seu centro, no que podem ser os seus mecanismos gerais ou seus efeitos de conjunto. Trata-se de… apreender, AO CONTRÁRIO, o poder em suas EXTERMIDADES, em seus últimos lineamentos, onde ele se torna capilar; ou seja: tomar o poder em suas formas e suas instituições mais regionais, mais LOCAIS, sobretudo no ponto em que o poder, indo além das regras de direito que o organizam e o delimitam, se prolonga, em consequência, mais além dessas regras, investe-se em instituições, consolida-se em técnicas e fornece instrumentos de intervenção materiais, eventualmente até violentos.

Um exemplo: em vez de se procurar saber onde e como na soberania, tal como ela é apresentada pela filosofia , seja do direito monárquico, seja do direito democrático, se fundamenta no poder de punir, tentei ver como, efectivamente, a punição, o poder de punir se consolidava num certo número de instituições LOCAIS, regionais, materiais, seja o suplicio ou o aprisionamento, e isto num mundo a um só tempo institucional, , físico, regulamentar e violento dos aparelhos efectivos de punição. Em outras palavras, apreender o poder sob o aspecto de EXTERMIDADES cada vez menos jurídicas de seu exercício: era a primeira instrução dada”

Hibrido Mutante

p. 33
2) Segunda instrução: tratava-se de NÃO analisar o poder no nível da intenção ou da decisão, de não procurar considera-lo do LADO DE DENTRO, de não formular a questão (que acho labiríntica e sem saída) que consiste em dizer: quem tem o… poder afinal? O que tem na cabeça e o que procura aquele que tem o poder?
Mas sim de estudar o poder, AO CONTRÁRIO, do lado em que sua intenção – se intenção houver – está inteiramente concentrada no INTERIOR DE PRÁTICAS REAIS e efectivas; estudar o poder de certo modo, do lado de sua FACE EXTERNA, no ponto em que ele está em relação directa e imediata com o que se pode denominar, muito provisoriamente, , seu objecto, seu alvo, seu campo de aplicação, no ponto , em outras palavras, em que ele se implanta e produz EFEITOS REAIS.
Portanto NÃO: por que certas pessoas querem dominar? O que elas procuram, Qual a sua estratégia de conjunto?
E SIM: como as coisas ACONTECEM no momento mesmo. No nível, no PROCEDIMENTO de sujeição, ou nesses PROCESSOS contínuos e ininterruptos que sujeitam os corpos, dirigem os gestos, regem os comportamentos.
Em outros termos, em vez de se perguntar como o soberano aparece no alto, procurar saber como se constituíram, pouco a pouco, progressivamente, realmente, materialmente, os súbditos, o súbdito, a partir da multiplicação dos corpos, das forças, das energias, das matérias, dos desejos, dos pensamentos, etc. (…) Pois bem, em vez de formular esse problema da alma central (Alma do Leviata em Hobbes), eu acho que conviria tentar – eu tentei fazer – estudar os corpos periféricos e múltiplos, esses corpos constituídos pelos efeitos de poder, como súbditos.”

Hibrido Mutante

p.34
3) Terceira precaução de método: NÃO tomar o poder como fenómeno de dominação maciço e homogéneo – dominação de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre outros, de uma classe sobre outras; ter em mente que o poder, excepto ao considera-lo muito alto e de muito longe, não é algo que partilhe entre aqueles que o têm e que o detêm exclusivamente, e aqueles que não têm e que são submetidos a ele.
O poder, acho eu, deve ser analisado como uma coisa que CIRCULA, ou melhor, uma coisa que só FUNCIONA em cadeia. JAMAIS está LOCALIZADO aqui ou ali, jamais está entre as mãos de alguns, jamais é possuído como uma riqueza ou um bem. O PODER FUNCIONA. O poder exerce-se em rede e, nessa rede, não só os indivíduos circulam, mas estão sempre em posição de ser submetidos a esse poder e também de exerce-lo. JAMAIS eles são alvos inertes ou consentidos do poder, são sempre seus INTERMEDIÀRIOS. Em outras palras, o poder transita pelos indivíduos, não se aplica a eles.

NÃO SE DEVE, acho eu, conceber o individuo como uma espécie de núcleo elementar, átomo primitivo, matéria múltipla e muda na qual viria aplicar-se, contra a qual se viria abater o poder, que submeteria os indivíduos ou os quebraria. Na realidade, O QUE FAZ que um corpo, gestos, discursos, desejos sejam identificados e constituídos como INDIVIDUOS, é precisamente isso um dos efeitos do poder. Quer dizer, O INDIVIDUO É UM EFEITO DO PODER e é, ao mesmo tempo, na mesma medida em que é um efeito seu, seu intermediário: o poder transita pelo indivíduo que ele constituiu.”

Hibrido Mutante

‎(pequeno intervalo ;) … percebes aqui pk tantas vezes a malta do PC ou do BE, como tantos humanistas do PS e à sua direita (ou tu… >:) me surgem tantas vezes num discurso neurótico, paranóico… anacrónico … mais caricatos ainda qdo nos remetem …para Foucault, Deleuze, Derrida, que os considerariam encalacrados num “regime de loucura”… “os banqueiros, os poderosos, os senhores do mundo”… eich… ;) acho-os caricatos… assisti por acaso o prós e contras da semana passada e hão sei quem me pareceu mais neurótico, se Barata Moura com o seus “banqueiros” se Adriano Moreira no seu apelo à re-fundação do Estado por um novo líder carismático… sick people… ainda q bem intencionada… boas almas… naturezas-rectas… edipinianizados (um acusador do pai mau, o outro idolatra do pai bom)… é cada uma neurose colectiva por estas bandas… iuuuuuuuuc… respira-se com dificuldade e só mantendo grande distancia…entre José Gil (do “medo de existir”) e o eterno Pulido Valente, não vejo grande diferença: sacerdotes ressabiados e paranóicos… ;) sintomas dos seus leitores…

Hibrido Mutante

retomando ;) p. 36
“4) Quarta consequência no plano das precauções de método: quando eu digo: quando eu digo: “o poder é algo que se exerce, que circula, que forma rede”, talvez seja verdade até certo ponto. Podemos igualmente dizer: “todo…s nós temos fascismo na cabeça e, mais fundamentalmente ainda; “todos nós temos o poder no corpo”. E o poder  pelo menos em certa medida, transita ou transmuta por nosso corpo. Tudo isto pode ser dito; mas não creio que seja preciso concluir, a partir daí, que o poder seria, se vocês quiserem, a coisa mais bem distribuída do mundo, a mais distribuída, se bem que até certo ponto ele o seja. Não é uma espécie de distribuição democrática ou anárquica do poder através do corpo. Quero dizer o seguinte: parece-me que – essa seria a 4 precaução do método – o importante é que não se deve fazer uma espécie de dedução do poder que partiria do centro e que tentaria ver até onde ele se prolonga por baixo, em que medida ele se reproduz, se reconduz até aos elementos mais atomísticos da sociedade. Creio que, ao CONTRÁRIO- é a precaução do método a seguir – fazer uma análise ASCENDENTE do poder, ou seja, partir dos mecanismos infinitesimais, os quais têm sua própria história, seu próprio trajecto, sua própria técnica e táctica, e depôs ver como esses mecanismo de poder, que têm, pois sua solidez e, de certo modo, sua tecnologia própria, foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, inflectidos, transformados, deslocados, estendidos, etc. por mecanismos cada vez mais gerais e por formas de dominação global.”

Hibrido Mutante

p. 40
(…) Quinta precaução: é bem possível que as grandes máquinas de poder sejam acompanhadas de produção ideológica. Houve sem dúvida, por exemplo, uma ideologia da educação, uma ideologia do poder monárquico, uma ideologia da democracia p…parlamentar, etc. Mas, na base, no ponto em que terminam as redes de poder, o que se forma não acho que sejam ideologias.

É muito menos e, acho eu, muito mais.

São instrumentos efectivos de formação e de acúmulo de saber, são métodos de observação, técnicas de registo, procedimentos de investigação e de pesquisa, são aparelhos de verificação. Isto quer dizer que o poder, quando se exerce em seus mecanismos finos, não pode faze-lo sem a formação, a organização e em pôr em circulação um SABER, ou melhor, aparelhos de saber que não são acompanhamentos ideológicos.”

Hibrido Mutante

p.40 “Para resumir essas 5 precauções de método, eu diria isto: em vez de orientar a pesquisa sobre o poder para o âmbito do edifício jurídico da soberania, para o âmbito dos aparelhos do Estado, para o âmbito das ideologias que os acompanham,
creio que se deve orientar a análise do poder para
o âmbito da dominação (não da soberania), para o âmbito dos operadores materiais, para o âmbito das conexões e utilizações dos sistemas locais dessa sujeição e para o âmbito, enfim, dos dispositivos de saber.

Em suma, é preciso desenvencilhar-se do modelo do Leviatã, desse modelo de um homem artificial, a um só tempo autómato, fabricado e unitário igualmente, que envolveria todos os indivíduos reais, e cujo corpo seriam os cidadãos, mas cuja alma seria a soberania.

É preciso estudar o poder fora do Leviatã, fora do campo delimitado pela soberania jurídica e pela instituição do estado; trata-se de analisa-lo a partir das técnicas e tácticas de dominação.

Eis a linha metódica que, acho eu, se deve seguir, e que tentei seguir nessas diferentes pesquisas que realizamos nos anos anteriores a propósito do poder psiquiátrico, da sexualidade das crianças, do sistema punitivo, etc.”

espero q tenhas ficado perfeitamente elucidado sobre o lugar de Foucault e o que teria respondido “àquilo q alguns lhe apontam sobre adoptar um posicionamento em geral neutro e tal”…

abraço ;)

Território não é referente a "espaço" mas a uma "Geografia da razão"

“Para acabar de vez com algumas “confusões” que por ai se lê sobre o “territorio” e a “desterritorialização” (e o “nomadismo”) em Deleuze, remetendo-o para o “espacial” e não propriamente para uma “geografia da Razão” como a vemos já traçada em Kant, explicitamente na introdução da “Critica da Faculdade do Juízo”.

Lemos imensos absurdos por aí em redor do termo “território”,  “territorialização”, e “desterritorialização”, o mais comum sendo o de se ficar por uma atitude dogmática (pré-critica) e considerar que Deleuze se refere ao “espaço exteior” (mesmo q isto seria um sinal de q é um pensador do “espaço” em contraposição ao “tempo”!! Deleuze… o “bergsoniano”… o “construtivista” :O  o pensador do processo… saber-se-á o que é o “intuicionismo” em matemática?) e os piores casos sendo mesmo os que aí encontram apenas uma “selvagem criação de conceitos”.

É importante perceber que Deleuze trabalha no interior dos sistemas filosóficos herdados, onde a inovação se desenvolve no seio de uma tradição que deve aprender-se a dominar para subverter…

Deleuze & Guattari deixam claro o que “pretende” por ex.
“O que é a Filosofia” – sub cap “geofilosofia” nota 15 (trad brasileira):

“(15)  Devemo-nos remeter às primeiras linhas do prefácio da primeira edição da Crítica da Razão pura (KANT):

O terreno onde se travam os combates se chama a Metafísica

No início, sob o reino dos dogmáticos, seu poder era despótico. Mas, como sua legislação levava ainda a marca da antiga barbárie, esta metafísica cai pouco a pouco, em conseqüência de guerras intestinas, numa completa anarquia,

e os céticos, espécies de nômades que têm horror de se estabelecer definitivamente sobre uma terra, rompiam, de tempos em tempos, o liame social. Todavia, como não eram felizmente senão um pequeno número, eles não puderam impedir seus adversários de tentar sempre novamente, mas de resto sem nenhum plano entre eles previamente concertado, restabelecer este liame quebrado…”.

E sobre a ilha da fundação, o grande texto da “Analítica dos princípios”, no começo do capítulo III.

As Críticas não compõem somente uma “história”,
mas sobretudo uma geografia da Razão,
segundo a qual se distingue
um “campo“,
um “território
e um “domínio” do conceito

(Crítica do juízo, introdução, § 2).

Jean-Clet Martin fez uma bela análise desta geografia da Razão pura em Kant: Variations, no prelo.”

Há que respeitar a "maquina abstracta" ... e que "máquina incrivel"

Vejamos o que diz EXACTAMENTE Kant na Crítica do juízo, introdução, § 2, em uk e depois em Pt (clicar para fazer o download e confiramar-se:

Kant’s “Critical of Judgment”, Introduction §2

“Concepts, so far as they are referred to objects apart from the
question of whether knowledge of them is possible or not, have their
FIELD, which is determined simply by the relation in which their
object stands to our faculty of cognition in general.

The part of this –field-- in which knowledge is possible for us is a TERRITORY
(territorium) for these concepts and the requisite cognitive
faculty.

The part of the –territory– over which they exercise
legislative authority is the REALM (ditio) of these concepts, and
their appropriate cognitive faculty.(–LAT. domain)

Empirical concepts have, therefore,
their TERRITORY,
doubtless, in nature as the complex of all sensible objects,
but they have no REALM
(only a dwelling-place, —- domicilium —-),
for, although they are formed according to law, they are not themselves legislative, but the rules founded on them are empirical and, consequently, contingent.

Our entire faculty of cognition has two REALMS,
that of NATURAL concepts
and that of the concept of FREEDOM,

for through both it prescribes laws a priori.
In accordance with this distinction, then,
philosophy is divisible into
theoretical and practical.

But the
TERRITORY upon which its REALM is established,
and over which it exercises its legislative authority,
is still always confined to the
complex of the objects of all possible experience,
taken as no more than mere phenomena,
for otherwise legislation by the understanding in respect of them is unthinkable. “

Field C Territory C Realms ;)
Translators must know this word by word ;) it belongs to the “text” ;)
Em português, na edição da Casa da Moeda, António Marques e Valério Rohden optam pelos termos:

Campo <Feld> C Territótio <Bolden> (territorium) C Dominio <Gebiet> (ditio)

(Domicilio (<Aufethalt>)

p. 54

(XVII)

http://www.class.uidaho.edu/mickelsen/texts/Kant%20Crit%20Judgment.txt

Agora em Português aqui (um pouco mais extenso… para incluir o “teórico” e o “prático” aos interessados ;)
II. Do domínio da Filosofia em geral

O uso da nossa faculdade de conhecimento segundo princípios, assim como a Filosofia, vão tão longe quão longe for a aplicação de conceitos *a priori*. :,

Contudo a globalidade de todos os objectos a que estão ligados aqueles conceitos, para constituir, onde tal for possível, um conhecimento desses objectos, só pode ser dividida, segundo a diferente suficiência ou insuficiência das nossas faculdades, no que respeita a esse objectivo.

Os conceitos, na medida em que podem ser relacionados com os seus objectos e independentemente de saber se é ou não possível um conhecimento dos mesmos, têm o seu campo <Feld>, o qual é determinado simplesmente segundo a relação que possui o seu objecto com a nossa faculdade de conhecimento.

A parte deste campo, em que para nós é possível um conhecimento, é um território <boden> (*territorium*) para estes conceitos e para a faculdade de conhecimento correspondente.

A parte desse campo a que eles ditam as suas leis, é o domínio <ebiet*> (*ditio*) destes conceitos e das faculdades de conhecimento que lhes cabem. Por isso conceitos de experiência possuem na verdade o seu território na natureza, (XVII) enquanto globalidade de todos os objectos dos sentidos, mas não possuem qualquer domínio

(pelo contráriosomente o seu domicílio <aupenthalt>(*domicilium*), porque realmente são produzidos por uma legislação, mas não são legisladores, sendo empíricas, e por conseguinte contingentes, as regras que sobre eles se fundam.

Toda a nossa faculdade de conhecimento possui dois domínios,
o dos conceitos de natureza
e o do conceito de liberdade;
na verdade, nos dois, ela é legisladora *a priori*.

Ora de acordo com isto, também a Filosofia se divide
em teórica
e prática,

mas o território em que o seu domínio é erigido e a sua legislação *exercida*, é sempre só a globalidade dos objectos de toda a experiência possível, na medida em que forem tomados simplesmente como simples fenómenos; é que sem isso não poderia ser pensada qualquer legislação do entendimento relativamente àqueles.

A legislação mediante conceitos da natureza
ocorre mediante o entendimento e é teórica.

A legislação mediante o conceito de liberdade acontece pela razão
e é simplesmente prática.

Apenas no plano prático :<*im Praktischen>, pode a razão ser legisladora;
a respeito do conhecimento teórico (da natureza) ela somente pode retirar conclusões, através de inferências, a partir de leis dadas (enquanto tomando conhecimento de leis me diante o entendimento), conclusões que porém permanecem circunscritas à natureza.
Mas ao invés, onde as regras são práticas, não é por isso que imediatamente _oXVIII a razão passa a ser *legisladora*, porque aquelas também podem ser práticas de um ponto de vista técnico.

A razão e o entendimento possuem por isso duas legislações diferentes
num e mesmo território da experiência,
sem que seja permitido a uma interferir na outra.

Na verdade o conceito da natureza tem tão pouca influência sobre a legislação mediante o conceito de liberdade, quão pouco este perturba a legislação da natureza. A Crítica da Razão Pura demonstrou a possibilidade de pensar, ao menos sem contradição, a convivência de ambas as legislações e das faculdades que lhes pertencem no mesmo sujeito, na medida em que eliminou as objecções que aí se levantavam, pela descoberta nelas da aparência dialéctica.

Mas o facto destes dois diferentes domínios — que, na verdade, não na sua legislação, porém nos seus efeitos, se limitam permanentemente ao mundo sensível — não constituírem *um só*, tem origem em que na verdade o conceito de natureza representa os seus objectos na intuição, não como coisas em si mesmas, mas na qualidade de simples fenómenos;
em contrapartida o conceito de liberdade representa no seu objecto uma coisa em si mesma, mas não na intuição.

Por conseguinte nenhuma das duas pode fornecer um conhecimento teórico do seu objecto (e até do sujeito pensante) como coisa-em- si, o que seria o supra-sensível, cuja ideia na verdade se tem que colocar na base de todos aqueles objectos da experiência, não se podendo todavia nunca elevá-la e alargá-la a um conhecimento.

Existe por isso um campo ilimitado, mas também inacessível para o conjunto da nossa faculdade de conhecimento, nomeadamente o campo do supra-sensível, no qual não encontramos para nós qualquer território e no :, qual por isso, nem para os conceitos do entendimento, nem da razão possuímos um domínio para o
conhecimento teórico.

Um campo que na verdade temos que ocupar com ideias em favor do uso da razão, tanto teórico, como prático, mas às quais contudo não podemos, no que respeita às leis provenientes do conceito de liberdade, fornecer nenhuma outra realidade que não seja prática, pelo que assim o nosso conhecimento teórico não é alargado no mínimo em direcção ao supra-sensível.

Ainda que na verdade subsista um abismo intransponível entre o domínio do conceito de natureza, enquanto sensível, e o do conceito de liberdade, como supra-sensível, de tal modo que nenhuma passagem é possível do primeiro para o segundo (por isso mediante o uso teórico da razão), como se se tratassem de outros tantos mundos diferentes, em que o primeiro não pode ter qualquer influência no segundo, contudo este último *deve* ter uma influência sobre aquele, isto é o conceito de liberdade deve (a) tornar efectivo no mundo dos sentidos o fim colocado pelas suas leis e a natureza em consequência tem que ser pensada de tal modo que a conformidade a leis da sua forma concorde pelo menos com a possibilidade dos fins que nela actuam segundo
leis da liberdade. –

Mas por isso tem que existir um fundamento da *unidade* do supra-sensível que esteja na base da natureza, com aquilo que o conceito de liberdade contém de modo prático e ainda que o conceito desse fundamento não consiga, nem de um ponto de vista teórico, nem de um ponto de vista prático, um conhecimento deste e por conseguinte não possua qualquer domínio específico, mesmo assim torna possível a passagem da maneira de pensar segundo os princípios de um para a maneira de pensar segundo os princípios de outro.

http://www.4shared.com/dir/4077405/b0c6b66a/Kant.html

http://www.4shared.com/get/r9nkGU5N/Kant_-_Crtica_da_Faculdade_do_.html

Para acabar “de vez” com um Deleuze “leibniziano” e já não Espinosista (mas tb Schopenhauriano e já não Nietzscheneano, Husserliano e já não Bergsoniano, Heideggeriano e já não Simmondiano, Saussuriano e já não Hjelmsleveniano, Lacaniano e já não Guattariano (para não dizer “um Deleuze de pernas para o ar no fim da vida”… simplesmente ignorando-SE acintosamente “Spinoza – Philosophie pratique (1970, 2nd ed. 1981″… para não falar dos 2 volumes do “Cinema” (demasiado Bergson? – curioso para saber o q a Catarina fez com ele…), e do “Bacon – Lógica da sensação” (e não manetas como os Malevichs/Mondrians abstractcos – o império do olho, como também não Pollocks zarolhos expressionistas abstractos – a tirania da mão) , etc .. traidores…

“Si SPINOZA se distingue essencialmente de LEIBNIZ

es porque ÉSTE, cercano a una inspiración barroca, ve en lo OSCURO («fuscum sub nigrum») una matriz, una premisa, de donde saldrán el CLAROSCURO, los colores y hasta la luz.

En SPINOZA, por el contrario, todo es LUZ,

y lo Oscuro no es más que SOMBRA, un mero efecto de luz, un límite de la luz sobre unos cuerpos que la reflejan (afección) o la absorben (afecto):

estamos más cerca de Bizancio que del Barroco.

En vez de una LUZ que sale de los grados de sombra por acumulación del rojo, tenemos una luz que crea grados de sombra azul.

El propio CLAROSCURO es un efecto de esclarecimiento o de oscurecimiento de la sombra:

son las variaciones de potencia o los SIGNOS VECTORIALES los que constituyen los grados de claroscuro, pues el AUMENTO DE POTENCIA es un esclarecimiento,

y la merma de potencia un oscurecimiento.”

Deleuze

Critique et clinique (1993). Trans. Essays Critical and Clinical (1997).

http://www.scribd.com/doc/932188/Critica-y-clinica

“we must take in account of 2 basic factors in LEIBNIZ’s conception of expression:

ANALOGY, which primarily expresses different types of unity relative to the multiplicities they involve,

and HARMONY, which primarily expresses the way multiplicity corresponds in every case to an underlying unity

This all forms a “SYMBOLIC” philosophy of expression

is inseparable from SIGNS of its transformation,

and from the obscure areas in which it is plunged.

What is distinct and what confused vary in each expression

(mutual expression means, in particular, that what a monad expresses confusedly, another expresses distinctly).

SUCH A SYMBOLIC PHILOSOPHY IS NECESSARILY a PHILOSOPHY of EQUIVOCAL EXPRESSIONS.

And rather than opposing Leibniz and Spinoza by citing the Leibniz themes of possibility and finality, it seems to me ESSNETIAL to bring out this concrete point concerning the way understands and operates with the phenomenon of expression, for all the other themes and concepts flow from it.” etc etc etc

(…)

If LEIBNIZ’s pre-established harmony and SPINOZA’s PARALLELISM

both break with the assumption of a real causality between soul and body

the fundamental DIFFERENCE between them still lies here:

THE DIVISION  into ACTIONS and PASSIONS

remains in LEIBNIZ what it was according to the TRADITIONAL assumption (the body suffering when the soul acts, and vice versa) -

while SPINOZA in practice OVERTURNS all the division, asserting a PARITY between

the soul’s passion and the body’s,

and between the body’s action and the soul’s.

For the relation of expression holds in Spinoza ONLY BETWEEN EQUAL TERMS

HEREIN lies the TRUE SENSE of this PARALLELISM:

NO SERIES IS EVER EMINENT (…)

FAR FROM perfection implying “ANALOGY or “SYMBOLIZATION” in which the more perfect term would exist on another qualitative level than the less perfect,

it implies only IMMANENT QUANTITATIVE processing which the more perfect term exists IN the more perfect, that is, IN and UNDER the same UNIVOCAL form that constitutes the essence of the more perfect term (this is also, as we have seen,

the sense in which Leibniz’s theory of QUALITATIVE INDIVIDUATION,

should be OPPOSED

to Spinoza’s theory of QUATITAIVE INDIVIDUATION, without our concluding, of course, that the MODE has any less AUTONOMY than a MONAD”

DELEUZE

Spinoza et le problème de l’expression (1968) Trans. Expressionism in Philosophy: Spinoza (1990).

p.331

http://www.scribd.com/doc/6789600/Deleuze-Expressionism-in-Philosophy-Spinoza

Para quem n percebeu à primeira… sobre Simbolos e Signos (escalares)…

Si consideramos el segundo elemento de la Ética, vemos que surge una OPOSICION determinante con los SIGNOS: las NOCIONES COMUNES son conceptos de objetos, y los objetos son CAUSAS.

La luz ya no es reflejada o absorbida por unos cuerpos que producen sombra, sino que vuelve los cuerpos transparentes al revelar su «estructura» íntima (fabrica). Es el segundo aspecto de la LUZ: y el entendimiento es la aprehensión verdadera de las estructuras de cuerpo, mientras que la imaginación sólo era la captación de la sombra de un cuerpo sobre otro.

En este caso también, se trata de óptica, pero de una geometría óptica. La ESTRUTURA en efecto es geométrica, y consiste en líneas sólidas, pero que se forman y se deforman, actuando como causa. Lo que constituye la estructura es una relación compuesta,

de movimiento y de reposo,

de velocidad y de lentitud,

que se establece entre las partes infinitamente pequeñas de un cuerpo transparente

(…)

Los modos son estructuras geométricas, pero fluyentes, que se trans- forman y se deforman en la luz, a velocidades variables. La estructura es ritmo, es decir concatenación de figuras que componen y descom- ponen sus relaciones.

(…)

Entre los SIGNOSs y los CONCEPTOS,

la distinción parece pues IRREDUCTIBLE, insuperable,

tanto como en Esquilo: «Ya no es mediante un lenguaje mudo, ni mediante el humo de un fuego que arde en una cima como va a expresarse, sino en términos claros…»

Los SIGNOS o AFECTOS son ideas inadecuadas y pasiones;

las NOCIONES COMUNES o CONCEPTOSs son ideas adecuadas de las que resultan verdaderas acciones.

Si nos referimos a la separación por capas de la causalidad, los SIGNOS remiten a los signos como los EFECTOS a los efectos, siguiendo un eslabonamiento ASOCIATIVO que depende de un orden como mero en- cuentro al azar de los cuerpos físicos.

Pero, en tanto que los CONCEPTOS remiten a los conceptos, o las CAUSAS a las causas, ocurre siguiendo un eslabonamiento llamado automático,

determinado

por el ORDEN necesario de las relaciones o proporciones,

por la SUCESION determinada de sus transformaciones y deformaciones.

Así pues, contrariamente a lo que creíamos, parece que los SIGNOS o los afectos no son ni pueden ser un elemento positivo de la Ética, menos aún una forma de expresión.”

Deleuze

Critique et clinique (1993). Trans. Essays Critical and Clinical (1997).

GET IT…

«Leibniz e Kant: os dois maiores obstáculos à probidade intelectual da Europa! (…)

Os Alemães inscreveram-se na história do conhecimento só com nomes equívocos, produziram sempre apenas falsos moedeiros «inconscientes» (esta designação ajusta-se tanto a Fichte, Schelling, Schopenhauer, Hegel, Schleiermacher como a Kant e Leibniz; todos eles são simples «Schleiermacher» ["fabricantes de véus"]). (…) É ambição minha passar por desprezador par excellence dos Alemães.» -

Nietzsche, Ecce Homo, cap. “O caso Wagner”, p. 123.

Já publicquei mas merece ficar em arquivo sobre este tema:

“Leibniz est dangereux en bon Allemand qui a besoin de façades et de philosophies de façades, mais téméraire et en soi mystérieux jusqu’à l’extrême.

Nietzsche.

“On aperçoit désormais que ce détour par Leibniz, au fond, n’en était pas un.

C’est une introduction, une préparation à l’ouvrage général sur “ Qu’est-ce que la philosophie ? ” que nous avons entre les mains.

“ En effet. Je ne dirais pas que je me sens proche de Leibniz, je suis beaucoup plus proche de Spinoza ou de Nietzsche.

Mais, pour moi, la manière dont Leibniz conçoit J’activité philosophique est un modèle. Car il est avant tout un créateur de concepts. Il en a inventé une multitude, d’une richesse incroyable. Et c’est sans doute pour cette raison qu’il est le philosophe qui a eu le plus grand nombre de disciples vraiment créateurs. Et, pour moi, la philosophie, c’est cette activité productrice de concepts. Elle n’est pas réflexion, elle n’est pas communication, non, elle est création. Je ne me pose donc pas la question de la fin de la philosophie. Car on aura toujours besoin de concepts nouveaux, exigés par des situations nouvelles. Il y aura toujours à créer. ”

Didier Eribon sobre o Le Pli de Deleuze -  (Le Nouvel Observateur, 9 septembre 1988)

http://www.leseditionsdeminuit.com/f/index.php?sp=liv&livre_id=2022

Isto tudo a propósito de
Razão-Optimismo-Teodiceia: a Herança de Leibniz no Iluminismo Europeu Colóquio Internacional Comemorativo do III Centenário da publicação dos Essais de Théodicée de G. W. Leibniz & 2.o Colóquio Leibniz Luso-Brasileiro

sobretudo… :(
CATARINA NABAIS (CFCUL) Deleuze reencontra Leibniz no cinema
ABSTRACT
Quase todas as obras dos anos 60 de Deleuze estão marcadas por Leibniz. Das essências individuais à crítica do possível, passando pelo cálculo diferencial e a teoria da expressão, a metafísica monadológica organiza lugares fundamentais do pensamento deleuziano. Com Anti-Édipo, Leibniz desaparece por completo. Pensa-se habitualmente que o regresso a Leibniz se faz só em 1988 com o livro A dobra. Leibniz e o barroco. O que procuramos mostrar é que o verdadeiro reencontro de Deleuze com Leibniz se faz nos cursos de 1980 os quais têm a sua principal manifestação nos livros sobre o cinema, de 1983 e de 1985. Deste reencontro resulta todo um novo léxico: potência do falso, mundos incompossíveis, fabulação. Tentaremos perceber em que medida este léxico permitiu a Deleuze um novo pensamento da arte.

(cada vez me sinto mais e mais distante destas leituras de Catarina q leio como profundamente erradas… diria: traidoras)

Mas também… o q suspeitamos estar aqui:
NUNO NABAIS (FLUL/CFCUL) Como Leibniz libertou Nietzsche de Espinosa
ABSTRACT (Não disponível)

estou muito muito muito curioso por ler já q n consegui estar presente… mas a deriva q vinhamos a sentir nops trabalhos q vemos sairem da FLUL em relação a Deleuze parecem confirmados no pior sentido (desde logo o disparate pegado da última aula de José Gil com um Deleuze-Malevich maneta (um Deleuze “abratccionista”… jesus, este homem nem se deu ao trabalho de estudar o Bacon – lógica da sensação? a “Mão E Olho”, nem expressionismo abstracto nem abstraccionismo … e tenho dito >:)

Para os que nunca perceberam o que é uma
Forma de Conteúdo (visibilidades) e uma Forma de Expressão (enunciados) (assim como a relação entre elas) num Agenciamento:
“A forma, é dita em dois sentidos:
a)    ela Forma ou organiza MATÉRIA
b)    ela Forma ou finaliza FUNÇÕES, dá-lhes objectivos
a) Não só a prisão como também o hospital , a escola, a caserna, a oficina, são MATÈRIAS Formadas
b) Punir é uma FUNÇÃO, como o são tratar, educar, disciplinar, fazer trabalhar. 

O facto é que há uma espécie de CORRESPONDÊNCIA, se bem que as DUAS Formas sejam IRREDUTÍVEIS.
(ex…)
Como explicar então esta coadaptação?
É que nós podemos conceber Puras MATÉRIAS + Puras FUNÇÕES,
desde que façamos abstracção das Formas em que elas se incarnam.

Quando Foucault define o Panoptismo
OU o determina concretamente como um agenciamento óptico ou LUMINOSO que caracteriza a prisão
OU o determina abstractamente como uma MÁQUINA
que NÃO se aplica a uma Forma VISIVEL Geral (oficina, caserna, escola, hospital enquanto prisão),
como também atravessa, no Geral, todas as funções ENUNCIAVEIS.
(…)
É uma lista indefinida, mas que continua a dizer respeito
a MATÉRIAS não-Formadas, não organizadas
e a FUNÇÕES não-Formalizadas, não-finalizadas
estando as DUAS VARIÁVEIS indissociavelmente ligadas.
Que nome dar a esta nova dimensão inFormal?

Foucault deu-lhe, numa ocasião, o seu nome mais preciso:
é um DIAGRAMA.

(…)
Definindo-se por FUNÇÕES e MATÈRIAS
inFormais,
Ela ignora qualquer distinção de Forma

entre
CONTÉUDO
e EXPRESSÃO

entre
uma Formação DISCURSIVA
e uma Formação NÃO-DISCURSIVA

É uma Forma quase CEGA e MUDA
Se bem que seja ela que faz VER
que seja ela que faz FALAR”

“Foucault”- Deleuze p.57, 58, ed Vega

‎(…) aquilo que se ACTUALIZA
não pode realizar-se senão por DESDOBRAMENTO ou DISSOCIAÇÃO,
criando as Formas divergente entre as quais se partilha.(…)

é aí que divergem ou se DIFERENCIAM 2 Formas de ACTUALIZAÇÃO

Forma de EXPRESSÃO + Forma de CONTEÚDO
Formas DISCURSIVAS + NÃO-DISCURSIVA
Forma do VISÍVEL + Forma do ENUNCIÁVEL

È precisamente por ignorar as Formas,
nas suas MATÉRIAS como nas suas FUNÇÕES
que a CAUSA IMANENTE se ACTUALIZA segundo umA DIFERENCIAÇÃO central
q,por um lado, Formará MATÉRIA VISÍVEIS
e por outro lado, Formalizará FUNÇÕES ENUNCIÁVEIS

ENTRE o VISÍVEL e o ENUNCIÁVEL,
Uma fenda, uma DISJUNÇÃO
Mas essa disjunção das Formas é O lugar, o NÃO-LUGAR, diz Foucault
Onde o DIAGRAMA inFormal se precipita,
para ir encarnar-se nas 2 direcções
necessariamente DIVERGENTES, DIFERENCIADAS, IRREDUTÍVEIS uma à outra

Os AGENCIAMENTOS CONCRETOS estão portanto FENDIDOS pelo INTERSTÍCIO
segundo o qual a MÁQUINA ABSTRACTA se efectiva

(…) Tal é pois a resposta:
Por um lado a DUALIDADE das Formas ou Formações
NÃO EXCLUI Causa Comum Imanente que opera no inFormal.

Por outro lado, essa Causa Comum Encarnada em cada caso, em cada DISPOSITIVO concreto,
não cessa de mediar as misturas, as capturas, as interceptações
das 2 Formas,
se bem que estas últimas sejam e permaneçam IRREDUTÍVEIS, heteromorfas.

Não é um exagero dizer que todo o DISPOSITIVO
é uma amalgama que mistura VISÍVEL e ENUNCIÁVEL.

“Foucault”- Deleuze p.63, ed Vega

(a propósito de discordâncias profundas com Catarina Pombo Nabais aqui – mas isto seria apenas um inicio perante tantos mal entendidos)

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