“Porquê as palavras PARANÓIA e ESQUIZOFRENIA” – molar e molecular em D&G
20/12/2010
Sei q a minha linguagem é agressiva, mas é esquizoanálise. Só assim se permite dizer “pateta” (bete…), “paranoico”, “perverso”, “esquizo” (tal como encontras pelo menos desde anti-edipo em Dleuze e companhia) é segundo “regimes de loucura”…
“Mas porquê as palavras PARANÓIA e ESQUIZOFRENIA,
que são como pássaros falantes ou nomes próprios de raparigas?
Porque é que os investimentos sociais obedecem a essa divisória
que lhe dá um conteúdo propriamente delirante (delirar a história)?
E que divisória é essa, como é que sobre ela se definem a ESQUIZOFRENIA e a PARANÓIA?
Supomos que tudo acontece sobre o CORPO SEM ÓRGÃOS,
mas este tem como que 2 faces.
1) Elias Canetti descreveu perfeitamente o modo como
o PARANÓICO organiza as MASSAS e as «matilhas»:
ele combina-as, opõe-as, manobra-as.
O PARANÓICO maquina MASSAS,
é o artista dos grandes conjuntos MOLARES,
das formações estatísticas ou gregaridades,
dos fenómenos de multidões organizadas.
Investe tudo sob o signo da grandeza
(…)
Dir-se-ia que, das duas orientações da física,
a MOLAR que trata dos grandes números e dos fenómenos de massa,
e a orientação MOLECULAR que, pelo contrário, se embrenha nas singularidades, nas
suas interacções ou nas suas ligações à distância ou de ordens diferentes,
o paranóico escolheu a primeira: faz MACRO-FÍSICA.
2) E que, pelo contrário,
o ESQUIZO segue a outra orientação, a da MICRO-FÍSICA
das MOLÉCULAS que já não obedecem às leis estatísticas;
ondas e corpúsculos, fluxos e objectos parciais que já não são tributarias dos grandes números,
linhas de fuga infinitésimais em lugar das perspectivas de grandes conjuntos.
E seria sem dúvida um ERRO opor estas duas dimensões como o COLECTIVO e o INDIVIDUAL.
(…) A diferença será, antes, a diferença entre 2 espécies de colecções ou populações:
os GRANDES CONJUNTOS e as MICRO MULTIPLICIDADES.
Em AMBOS os casos o INVESTIMENTO É COLECTIVO, e de um campo colectivo;
até mesmo uma partícula isolada está associada a uma onda,
que é como um fluxo que define o espaço coexistente das suas presenças.
Todos os investimentos são colectivos, todos os fantasmas são FANTASMAS DE GRUPO e, neste sentido, afirmação de realidade.
Mas os 2 tipos de investimentos são radicalmente distintos,
porque um relaciona-se com as ESTRUTURAS MOLARES que a si subordinam as MOLÉCULAS
e o outro, ao contrário.
relaciona-se com as MULTIPLICIDADES MOLECULARES que a si subordinam os fenómenos
estruturais de MASSA.
Um é um investimento de GRUPO SUJEITADO tanto na forma de soberania como nas formações coloniais do conjunto gregário, que reprime e recalca o desejo das pessoas;
o outro é um investimento de GRUPO-SUJEITO nas multiplicidades
transversais em que o desejo é um fenómeno molecular,
isto é,
OBJECTOS PARCIAIS e FLUXOS,
em oposição
aos CONJUNTOS e às PESSOAS”.
Anti-édipo
Deleuze e Guattari
p. 292
