1. Os ESTRATOS como Juízos de DEUS em Deleuze

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“Tradicionalmente, distingue-se, de modo sumário,
três grandes ESTRATOS:

  • físico-químico,
  • orgânico,
  • antropomórfico (ou “aloplástico”).

Cada ESTRATO, ou articulação, é composto de

  • meios codificados,
  • substâncias formadas.
    • Formas e substâncias,
    • códigos e meios

    não são realmente distintos.
    São componentes abstratos de qualquer articulação.
    Um ESTRATO apresenta, evidentemente,

    • formas e substâncias muito diversas,
    • códigos e meios variados.

    Portanto, possui a um só tempo

    • TIPOS de ORGANIZAÇÃO formal e
    • MODOS de DESENVOLVIMENTO substancial

    diferentes,

    que o dividem em

    • PARAESTRATOS
    • e EPISTRATOS:

    (…)
    Os ESTRATOS têm uma grande mobilidade.
    Um estrato é sempre capaz de servir de substrato a outro,
    ou de percutir um outro, independentemente de uma ordem evolutiva.
    Sobretudo, entre dois ESTRATOS ou duas divisões de estratos
    produzem-se fenômenos de interestratos:
    transcodificações e passagens de meio, misturas.
    Os RITMOS remetem a esses movimentos interestráticos,
    que são, igualmente, actos de estratificação.

    A estratificação é como a criação do mundo a partir do caos,
    uma criação contínua, renovada,
    e os ESTRATOS constituem o Juízo de Deus.
    O artista CLÁSSICO é como DEUS, ao organizar

    • as formas e as substâncias,
    • os códigos e os meios,
    • e os RITMOS,

    ele cria o mundo.

    Constitutiva de um estrato, a ARTICULAÇÃO é sempre
    uma dupla articulação (dupla-pinça).
    Com efeito, articula

    • um CONTEÚDO
    • e uma EXPRESSÃO.

    Se forma e substância não são realmente distintas,
    o CONTEÚDOe a EXPRESSÃO o são.
    Por isso, os estratos respondem à grade de Hjelmslev:

    • articulação de CONTEÚDO
    • e articulação de EXPRESSÃO,

    o CONTEÚDO e a EXPRESSÃO tendo,
    cada um por sua conta,
    forma e substância.
    Entre ambos, entre o CONTEÚDO e a EXPRESSÃO,
    não existe

    • correspondência,
    • nem relação causa-efeito,
    • nem relação significado-significante:

    • distinção real,
    • pressuposição recíproca,
    • e unicamente isomorfismo.

    Mas não é da mesma maneira que o CONTEÚDO e a EXPRESSÃO
    se distinguem em cada estrato:
    os três grandes ESTRATOS tradicionais
    não possuem a mesma repartição entre CONTEÚDO e EXPRESSÃO (por exemplo,

    • no estrato orgânico há uma “linearização” da expressão,
    • e nos estratos antropomórficos há uma “sobrelinearidade”).

    Por isso,
    o molar e o molecular,
    segundo o estrato considerado, entram em combinações muito diferentes.
    Qual movimento,
    qual impulso nos conduz
    para fora dos ESTRATOS (metaestratos)?

    Certamente, não há razão para pensar que

    • os estratos físico-químicos esgotem a matéria: existe uma Matéria não formada, submolecular.
    • Tampouco os estratos orgânicos esgotam a Vida: o organismo é sobretudo aquilo a que a vida se opõe para limitar-se, e existe vida tanto mais intensa, tanto mais poderosa quanto é anorgânica.
    • E do mesmo modo ainda, há Devires não humanos do homem que extravasam por todos os lados os estratos antropomórficos.”

    Deleuze “Mil Platôs”, Vol 5, Editora 34, p.216
    Último capitulo de “Mil Platôs”: Regras Concretas, subdividido em 6 pontos (3+3)
    1. Estratos 2. Agenciamento (territorializante) 3. Rizoma
    4. Plano de Consistência 5. Desterritorialização 6. Máquina Abstracta

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