4. PLANOS DE CONSISTÊNCIA e CORPOS SEM ORGÃOS em Deleuze

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C

Plano de Consistência, (Corpo sem órgãos).

O PLANO DE CONSISTÊNCIA ou de composição (planômeno)
se opõe ao PLANO DE ORGANIZAÇÃO e de desenvolvimento.
A organização e o desenvolvimento
dizem respeito à forma e substância:

  • ao mesmo tempo desenvolvimento da forma,
  • e formação de substância ou de sujeito.

Mas o PLANO DE CONSISTÊNCIA ignora a substância e a forma:
as HECCEIDADES,
que se inscrevem nesse plano,
são precisamente modos de individuação
que não procedem

  • pela forma
  • nem pelo sujeito.

1
O PLANO CONSISTE, abstratamente mas de modo real,

  • nas relações de
    • velocidade e de lentidão entre elementos não formados,
  • e nas de
    • composições de afectos intensivos correspondentes
  • (“LONGITUDE
  • e “LATITUDE

do plano).
2
Num segundo sentido, a CONSISTÊNCIA reúne concretamente
os heterogêneos,
os disparates enquanto tais:
garante a consolidação dos conjuntos vagos,
isto é,
das multiplicidades do tipo RIZOMA.
Com efeito,
procedendo por consolidação,
a consistência necessariamente age no meio,
pelo meio,
e se opõe a todo plano de princípio ou de finalidade.

Espinosa, Hölderlin, Kleist, Nietzsche
são os agrimensores de um tal PLANO DE CONSISTÊNCIA,
(jamais unificações, totalizações, porém consistências ou consolidações).

Nesse PLANO DE CONSISTÊNCIA se inscrevem:

  • as hecceidades,acontecimentos, transformações incorporais apreendidas por si mesmas;
  • as essências nômades ou vagas, e contudo rigorosas;
  • os continuums de intensidade ou variações contínuas, que extravasam as constantes e as variáveis;
  • os devires, que não possuem termo nem sujeito, mas arrastam um e outro a zonas de vizinhança ou de indecidibilidade;
  • os espaços lisos, que se compõem através do espaço estriado.

Diríamos, a cada vez,
um CORPO SEM ÓRGÃOS, corpos sem órgãos (platôs) intervém:

  • para a individuação por hecceidade,
  • para a produção de intensidades a partir de um grau zero,
  • para a matéria da variação,
  • para o meio do devir ou da transformação,
  • para o alisamento do espaço.

PODEROSA VIDA NÃO ORGÂNICA
que escapa dos estratos,
atravessa os agenciamentos,
e traça uma linha abstrata sem contorno,
linha da arte nômade e da metalurgia itinerante.

É o PLANO DE CONSISTÊNCIA
que constitui os CORPOS SEM ÓRGÃOS,
ou são os CORPOS SEM ÓRGÃOS
que compõem o PLANO?
O CORPO SEM ÓRGÃOS e o PLANO são a mesma coisa?
De qualquer maneira,
o que compõe e o composto têm a mesma potência:
a linha não tem dimensão superior ao ponto,
a superfície não tem dimensão superior à linha,
nem o volume dimensão superior â superfície,
mas há sempre um número de dimensão fracionária,
anexato, ou que não pára de crescer ou de decrescer com as partes.

O PLANO opera a secção em MULTIPLICIDADES de dimensões variáveis.
A questão, portanto,
é o modo de conexão entre as diversas partes do PLANO:
em que medida os CORPOS SEM ÓRGÃOS se compõem juntos?
e como se prolongam os contínuos de intensidade?
em que ordem as séries de transformações se fazem?
quais são esses encadeamentos alógicos que sempre se produzem no meio, e graças aos quais o PLANO se constrói fragmento por fragmento segundo uma ordem fracionária crescente ou decrescente?

O PLANO é como uma fileira de portas.
E as regras concretas de construção do plano
só valem quando exercem um papel seletivo.
Com efeito, o PLANO, isto é, o modo de conexão,
proporciona a maneira

  • de eliminar os corpos vazios e cancerosos que rivalizam com os CORPOS SEM ÓRGÃOS;
  • de rejeitar as superfícies homogêneas que recobrem o ESPAÇO LISO;
  • de neutralizar as linhas de morte e de destruição que desviam a LINHA DE FUGA.

Só é retido e conservado,
portanto CRIADO,
só tem consistência,
aquilo que aumenta o número de CONEXÕES a cada nível da divisão ou da composição,
por conseguinte, tanto na ordem decrescente como na crescente
(o que não se divide sem mudar de natureza,
o que não se compõe sem mudar de critério de comparação…).

Deleuze, “Mil Platôs”, Vol. 5, Editora 34 pp. 220
Último capitulo de “Mil Platôs”: Regras Concretas, subdividido em 6 pontos (3+3)
1. Estratos 2. Agenciamento (territorializante) 3. Rizoma
4. Plano de Consistência 5. Desterritorialização 6. Máquina Abstracta

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