A ideia de GÉNESE na ESTÉTICA Kantiana segundo DELEUZE (Pt)

Download da Tradução do Texto Integral em PT (6 pag.)

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Nosso problema era duplo.

Como explicar que o liame entre a exposição e a dedução do juízo de BELEZA seja interrompido pela análise do SUBLIME sem que o sublime tenha dedução correspondente?

E como explicar que a dedução do juízo de BELEZA se prolongue nas teorias do INTERESSE, da ARTE e do GÉNIO, que parecem responder a preocupações bem diferentes?

Acreditamos que o sistema da Crítica da faculdade de julgar, na sua primeira parte, pode ser reconstituído da seguinte maneira:

Analítica do BELO como exposição: ESTÉTICA FORMAL DO BELO em geral, do ponto de vista do espectador. Os diferentes momentos dessa Analítica mostram que o ENTENDIMENTO e a IMAGINAÇÃO entram em um livre acordo, e que este livre acordo é constitutivo do juízo de GOSTO. Define-se, assim, o ponto de vista estético de um espectador do belo em geral. Este ponto de vista é formal, posto que o espectador reflecte a forma do objecto. Mas o último momento da Analítica, o da modalidade, levanta um problema essencial. O acordo livre indeterminado deve ser a priori. Mais ainda, ele é o mais profundo da alma; toda proporção determinada das faculdades supõe a possibilidade de sua harmonia livre e espontânea. Neste sentido, a Crítica da faculdade de julgar deve ser o verdadeiro fundamento das duas outras Críticas. Portanto, é evidente que não podemos nos contentar em presumir o acordo a priori do ENTENDIMENTO e da IMAGINAÇÃO no juízo de gosto. Esse acordo deve constituir o objecto de uma génese transcendental. Mas a Analítica do belo é incapaz de assegurar essa génese: ela assinala a necessidade dela, mas não pode, por sua conta, ultrapassar uma simples “presunção”.

Analítica do SUBLIME, ao mesmo tempo como exposição e dedução: ESTÉTICA INFORMAL DO SUBLIME do ponto de vista do espectador. O GOSTO não colocava em jogo a RAZÃO. O SUBLIME, ao contrário, explica-se pelo livre acordo da RAZÃO e da IMAGINAÇÃO. Mas este novo acordo “espontâneo” ocorre em condições muito especiais: na dor, na oposição, no constrangimento, no desacordo. Aqui, a liberdade ou a espontaneidade são experimentadas em regiões-limites, face ao informe e ao disforme. Mais ainda, a Analítica do sublime nos dá um princípio genético para o acordo das faculdades que ela coloca em jogo. Por isso mesmo, ela vai mais longe que a Analítica do BELO.

3º) Analítica do BELO como dedução: meta-estética material do belo na natureza do ponto de vista do espectador. Se o juízo de GOSTO reclama por uma dedução particular, é porque ele se reporta pelo menos à forma do objecto; de outro lado, ele tem, por sua vez, necessidade de um princípio genético para o acordo das faculdades que ele exprime, ENTENDIMENTO e IMAGINAÇÃO. O SUBLIME nos dá um modelo genético; é preciso encontrar um equivalente dele para o BELO, com outros meios. Procuramos uma regra sob a qual estamos no direito de supor a universalidade do prazer estético. Enquanto nos contentamos em invocar o acordo da IMAGINAÇÃO e do ENTENDIMENTO como um acordo presumido, a dedução permanece fácil. O difícil é fazer a génese desse acordo a priori. Ora, precisamente porque a RAZÃO não intervém no juízo de GOSTO, ela pode nos dar um princípio a partir do qual é engendrado o acordo das faculdades nesse juízo. Existe um INTERESSE RACIONAL ligado ao BELO: esse interesse meta-estético incide sobre a aptidão da natureza em produzir belas coisas, sobre as matérias que ela emprega para tais “formações”. Graças a esse INTERESSE, que não é nem prático nem especulativo, a RAZÃO nasce para si mesma, alarga o ENTENDIMENTO, libera a IMAGINAÇÃO. Ela assegura a génese de um acordo livre indeterminado da IMAGINAÇÃO e do ENTENDIMENTO. Reúnem-se os dois aspectos da dedução: referência OBJECTIVA a uma natureza capaz de produzir coisas belas; referência SUBJECTIVA a um princípio capaz de engendrar o acordo das faculdades.

4º Sequência da dedução na teoria do GÉNIO: META-ESTÉTICA IDEAL DO BELO NA ARTE do ponto de vista do artista criador. O INTERESSE ligado ao BELO só assegura a génese excluindo o caso do BELO ARTÍSTICO. O GÉNIO intervém, então, como princípio meta-estético próprio às faculdades que se exercem em ARTE. Ele tem propriedades análogas às do INTERESSE: ele traz uma matéria, ele encarna as Idéias, faz com que a RAZÃO nasça para si, libera a IMAGINAÇÃO e alarga o ENTENDIMENTO. Mas todas essas propriedades, ele as exerce primeiro do ponto de vista da criação de uma obra de arte. É preciso, enfim, que o GÉNIO, sem nada perder de seu carácter excepcional e singular, dê um valor universal ao acordo que ele engendra, e comunique às faculdades do espectador um pouco de sua vida própria e de sua animação:

assim, a estética de Kant forma um TODO SISTEMÁTICO em que se reúnem as três géneses.

Tradução de Cíntia Vieira da Silva

Iles Desert (Tradução para Pt), Deleuze, p. 70. 1963 (38 anos) – Conclusão do artigo

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