Penser avec Whitehead – Isabelle Stengers

Penser avec Whitehead

Fb >17/11 às 18:59

Stengers é, para muitos, uma das mais importantes figuras no campo da epistemologia contemporanea (ignorada por muitos que não sabem francês, mas é da vida…), tendo uma vasta e profunda obra a solo e em conjunto, sobretudo com o premio nobel Ilya Prigogine (destacando-se Nouvelle Alliance – Order out of chaos em UK)…. Whitehead, por seu lado, é mais uma daquelas figuras nos analiticos que decidiu, no fim da vida, trair o clã :)) . Ter feito uma importante obra com Russel torna-o ainda mais desconfortável para os analiticos. Mas a verdade verdadinha é que eles agora têm mesmo de se voltar para o seu “Process and reality” (ainda há uns anos cuspiam-lhe em cima LOL ) a ver se não perdem definitivamente o pé na Filosofia da Ciência que, também ela, decidiu agora “trai-los” (e é ve-los agarrados como crentes, sob prova do diabo, à primeira metade do século XX😉 … LOL … e lá se ficam, sem saber o que não sabem😉 Esperemos que um dia o diálogo entre as tradições desencontradas se faça por aqui😉

17/11 às 21:31

Como a questão aqui não é saber ler francês mas querer conhecer Stengers (e Whitehead), independentemente de o fazer na perspectiva de “analíticos” e intitulados “continentais”, fica aqui um resumo (que não deve substituir a “vontade” de o ler, especialmente se pretender falar dele ;):
http://www.mast.br/arquivos_sbhc/339.pdf
Resenhas
Revista Brasileira de História da Ciência, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 106-111, jan | jun 2008
107

“Toda criação se faz a partir de problemas, mas os problemas encontram-se, na maioria das vezes, mascarados
por detrás das proposições de um filósofo. O papel do comentador e do historiador da filosofia é, então, o de restaurar esses problemas, a fim de tornar explicita a novidade e a necessidade dos conceitos apresentados pelo filósofo. O livro de Isabelle Stengers, Penser avec Whitehead: Une libre et sauvage création de concepts (Pensar com Whitehead:Uma livre e selvagem criação de conceitos), publicado em 2002 pelas edições do Seuil, é um belo exemplo desse procedimento, que poderíamos denominar “ética do matemático”.

A história da matemática se depara a todo instante com o desafio de desvendar os problemas escondidos por
detrás de enunciados consistentes e logicamente encadeados. Em um texto matemático, a ordem da exposição reverte a ordem da invenção. O papel do historiador da matemática deve ser então o de se esforçar para encontrar os problemas que os resultados apresentados vêm responder – e que fazem com que os teoremas tenham algum sentido.
A démarche de Stengers, ao analisar o pensamento de Whitehead, procura identificar, em cada obra do filósofo,
que problemas são postos e como eles se resolvem pelos conceitos criados pelo autor, desde Concept of nature até
Process and reality2. Para se estudar essa obra em seu conjunto, a identificação de um campo problemático pode ser de grande valia na tentativa de compreender a heterogeneidade de seus trabalhos. Como na história da matemática, o que importa é identificar o que força o surgimento de novos problemas e como eles são resolvidos pelos conceitos criados. Por isso dizemos, do comentário de Stengers, que ele segue a “ética do matemático”. Como procuraremos esclarecer mais adiante, essa ética poderia se definir como uma fidelidade inabalável ao problema posto no princípio e uma obediência às regras do jogo até que uma solução seja encontrada, ou até que os limites experimentados forcem uma redefinição do próprio problema.

Alfred North Whitehead é mais conhecido entre nós pelo seu livro Principia mathematica, escrito com Bertrand
Russell e publicado entre 1910 e 1913. Mas será somente em 1920, com a publicação de Concept of nature, que esse
pensador irá se consolidar como um dos maiores filósofos da natureza do século XX. O livro de Stengers, ao longo de
suas 581 páginas, nos oferece uma fina análise filosófica de algumas transformações que podemos observar no pensamento de Whitehead, que culminaram com a publicação, em 1929, de Process and reality, um de seus trabalhos mais difíceis e menos compreendidos. O livro de Stengers não é propriamente um comentário, pois, como afirma a autora, trata-se de tornar inseparáveis o pensamento de Whitehead e o “como pensar” que esse pensamento requer. Com um estilo marcadamente narrativo, a obra se divide em duas partes que analisam, respectivamente, as duas principais transformações no pensamento de Whitehead: da filosofia da natureza à metafísica e da metafísica à cosmologia.”

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