Descomposturas intelectuais de Derrida a Sokal e Companhia

ESTA GENTE N É SÉRIA
Desidério Murcho VOLTA a publicar,a 12AGO2010, na Criticanarede: revista de  filosofia um artigo na Folha de São Paulo de 1999 (!!!) sobre o caso Sokal “O Rei vai nú”…de um “tal” Roberto Fernandes numa resenha ao “imposturas intelectuais”…  …
http://criticanarede.com/html/imposturas.html
http://blog.criticanarede.com/2010/08/o-embuste-de-sokal.html
para manter vivos os boatos… esta gente não é nada séria

Deixo-vos com Derrida por altura do embuste, no mesmo jornal em 98 e que  Desiderio s esquece sempre de publicar para os seus leitores e formandos pensarem por eles…falamos mesmo d “filosofia”??? chegamos à america??😦 … porque “deste lado” somos realmente  obrigados a recordar o baixo ventre…


Descomposturas intelectuais

http://www.physics.nyu.edu/sokal/folha.html#derrida
Jacques Derrida especial para o “Le Monde”  Folha de São Paulo, 19 abril 1998
O “Le Monde” me pergunta qual  comentário eu faria ao livro de Alan Sokal e Jean Bricmont _”Imposturas  Intelectuais”_, presumindo que nele eu sou menos atacado do que outros  pensadores.
A minha resposta é: tudo isso é triste, não é mesmo?
Primeiro, para o pobre Sokal. O seu nome está associado a um conto do  vigário (“the Sokal’s hoax” _o embuste Sokal_, como se diz nos Estados  Unidos) e não a trabalhos científicos.
Triste também porque a  oportunidade de uma reflexão séria parece desperdiçada, ao menos num  espaço amplamente público, que merece melhor destino. Teria sido interessante estudar  escrupulosamente as chamadas metáforas científicas, o seu papel, o seu  estatuto, os seus efeitos nos discursos incriminados. Não somente nos  “franceses”!   E não somente nesses franceses.   Isso exigiria que lêssemos  seriamente, em sua estratégia e arranjo teóricos, um sem-número de  discursos difíceis. Isso não foi feito  .
Quanto a meu modesto “caso”, ele é ainda mais burlesco, para não dizer extravagante. No início da  impostura, nos Estados Unidos, depois do envio do embuste de Sokal para a revista “Social Text”, eu fui, a princípio, um dos alvos preferidos, em particular nos jornais (eu teria muito a dizer sobre tal assunto).   Pois era preciso, a todo custo, fazer o possível para desacreditar de  imediato o “crédito”, julgado exorbitante e embaraçoso, de um professor  estrangeiro.
Ora, toda a operação repousava, então, sobre algumas  palavras de uma resposta improvisada num colóquio ocorrido há mais de 30 anos, em 1966, no curso da qual eu retomava os termos de uma pergunta  de Jean Hyppolite.
Nada mais, absolutamente nada!
Além disso, a minha  resposta não era facilmente atacável.   Inúmeros cientistas chamaram a  atenção para a farsa em publicações acessíveis nos Estados Unidos, como  Sokal e Bricmont parecem reconhecer hoje _e com que contorções!_ em seu  livro destinado ao público francês.   Fosse aquela curta observação  discutível _o que eu facilmente aceitaria considerar_, ainda assim teria sido preciso demonstrá-la e discutir as suas consequências em meu  discurso.
Isso não foi feito.
Eu sou sempre econômico e prudente no uso da referência científica, e mais de uma vez tratei desse  problema. Explicitamente. As várias passagens em que falo, de fato, e  precisamente, sobre o “indecidível” e mesmo sobre o teorema de Gõdel não foram localizadas nem visitadas pelos censores.
Tudo faz pensar que  eles não leram o que era preciso ler para tomar pé das dificuldades. Sem dúvida, eles não foram capazes. Em todo caso, não o fizeram.
Uma das falsificações que mais me  surpreenderam foi dizer que, hoje, eles nunca tiveram nada contra mim  (“Libération”, de 19/10/97: “Fleury e Limet nos reprovam um ataque  injusto contra Derrida. Ora, tal ataque inexiste”). Agora, eles me relacionam precipitadamente na lista dos autores poupados (“Pensadores célebres como Althusser, Barthes, Derrida e Foucault  encontram-se essencialmente ausentes de nosso livro”). Ora, esse artigo  do “Libération” traduz um artigo do “Times Literary Supplement”, no qual meu nome (e apenas ele) havia sido oportunamente excluído da mesma  lista. Aliás, é a única diferença entre as duas versões.   Sokal e  Bricmont acrescentaram o meu nome na França, no último momento, à lista  dos filósofos honoráveis, a fim de responder a objeções embaraçosas:  tudo como manda o figurino do contexto e da tática!
E do oportunismo!  Esses indivíduos não são sérios.
Quanto ao “RELATIVISMO” que,  dizem, os inquietava _no rigoroso sentido filosófico da palavra_, não há traço dele em minha obra. Nem de uma crítica da razão e das Luzes.  Antes pelo contrário.   O que eu levo mais a sério, em contrapartida, é o  contexto mais amplo _americano e político_, que não posso abordar aqui,  no interior desses limites; e, precisamente, os problemas teóricos foram também pifiamente abordados. Tais debates têm uma história  complexa: bibliotecas de trabalhos epistemológicos! Antes de opor os  “eruditos” aos outros, eles dividem o próprio campo científico. E o do  pensamento filosófico.
Embora por vezes me divirta, levo a sério os  sintomas de uma campanha, ou mesmo de uma caça, em que os cavaleiros mal treinados certas vezes têm dificuldades de identificar a presa. E,  antes de tudo, o próprio terreno.
Qual é o interesse daqueles que  lançaram essa operação num certo mundo universitário e, muitas vezes  perto dele, em livros ou na imprensa? Um semanário publicou duas imagens minhas (foto e caricatura) para ilustrar todo um “dossiê” em que meu  nome não figurava uma única vez!
Isto é sério?   É honesto?
Quem tinha  interesse em se precipitar sobre uma farsa, em vez de participar do  trabalho de que ela tristemente tomou o lugar? Iniciado há tempos, esse  trabalho prosseguirá em outro lugar e de outro modo _é o que espero_ com toda a dignidade: à altura do que se acha em jogo.
Jacques Derrida

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