Sokal e Bricmont não percebem é puto do que Deleuze fala… tal como os papagaios em redor…

Imposturas de um Impostor

Sobre Deleuze, Sokal e Bricmont falaram para fazer uma triste figura (arrastando com eles para um espetáculo deprimente os que os papagueiam sem perceber nada, ávidos de descartar o que não percebem … uvas verdes… )😦

Assume-se na verdade, sem questionar, sem ler com o devido cuidado, que Deleuze não sabia o mais básico da História das Matemáticas, numa área que é central para o seu pensamento… um “filósofo da diferença” que não perceberia, afinal, as questões relativas ao “cálculo diferencial”! (isto para não falar da sua importância em todo o neo-kantismo, como em toda a epistemologia francesa e só os “tótos” na área não sabem o quanto… enfim…)

Sokal e Bricmont referem as reflexões de Deleuze sobre o cálculo infinitesimal na sua TESE DE DOUTORAMENTO (em Paris amigo, não é no “faroeste”…), “Diferença e Repetição”, coordenada por Maurice de Gandillac (será que os srs. sabem de quem se trata!!!! claro que não… nem mesmo saberão quem era o juri… enfim enfim…). Divagam sem s epreocupar em dar o MÍNIMO de enquadramento no todo da obra, nem mesmo do desenvolvimento do argumento que pretendem criticar (critica que na verdade acabam por não fazer, referindo que tudo acaba por não colocar em questão o que ele conclui – era necessário mais para avançar uma verdadeira critica, mas não nos parece que tenham preparação para tanto…”impostores”… uma coisa é enganar os pobres dos editores de uma revista americana de “cultural studies”, outra coisa bem diferente é criticar os mestres… certo)

Vejamos então, o que estes srs têm para dizer do Deleuze (e levar outros patetas a repetir)….

“After the birth of this branch of mathematics [cálculo inifintesimal] in the seventh-century through the work of Newton and Leibniz,cogent objections were raised against the use of ‘infinitesimal’ quantities such as dx and dy. These problems were solved by the work of d’Alembert around 1760 and Cauchy around 1820, who introduced the rigorous notion of limit—a concept that has been taught in all calculus textbooks since the middle of the nineteenth century. Nevertheless, Deleuze launches into a long and confused meditation on these problems…What is the point of all these mystifications about mathematical objects that have been well understood for over 150 years.”[3]
Sokal and Bricmont, 160-165.

Para que se tenha uma ideia do que tratamos aqui, eles referem-se ao inicio do importante 4º capítulo “Síntese ideal da diferença”, e especialmente à exposição das posições de 3 grandes matemáticos, independentemente do destino das suas posições. Maimon (reinterpretação leibniziana do cálculo), Wronski, (interpretação Kantiana do calculo) e Bordas-Demoulin (interpretação descartiana) (Note-se apenas que Mainon (1753–1800), Wronski (1778 – 1853) e Bordas-Demoulin (1789-1859)):

Repare-se bem como Deleuze tem sempre a preocupação de ressaltar, a cada passo, estar perfeitamente ao corrente “das objeções levantadas contra a utilização do uso das quantidades infinitesimais”. O que se critica exatamente? Não terem percebido as implicações das interpretações filosóficas do cálculo? Tirando a pulsão ad hominem (“mistificações” numa tese de douturamento?) não percebemos onde se quer chegar… e que interesse poderão ter as suas “opiniões filosoficamente desinformadas” e muito, muito mal argumentadas – é assim que noutras paragens se pretende criticar uma posição filosófica???? Que metodos são estes? Onde chegou a academia?) :

“Opomos dx,
como símbolo da diferença (Differenzphilosophie),
a não-A,
símbolo da contradição

como opomos a diferença em si mesma
à negatividade.

É verdade que
a contradição
procura a Idéia do lado da maior diferença,
ao passo que
a diferencial
se arrisca a cair no abismo do infinitamente pequeno.

Mas, assim, o problema não está bem formulado:
é um erro ligar o valor do símbolo dx
à existência dos infinitesimais

mas é também um erro negar-lhe
todo valor ontológico ou gnoseológico
em nome de uma recusa destes valores.

Deste modo, nas interpretações antigas do cálculo diferencial,
ditas bárbaras ou pré-científicas,
há um tesouro a ser separado de sua ganga infinitesimal.

É preciso muita ingenuidade verdadeiramente filosófica
e muito entusiasmo para levar a sério o símbolo dx:
Kant e mesmo Leibniz renunciaram a isso.

Mas na história esotérica da filosofia diferencial
três nomes brilham com vivo clarão:

Salomon Maïmon,
paradoxalmente, funda o pós-kantismo  através de
uma reinterpretação leibniziana do cálculo (1790);

Hoené Wronski,
matemático profundo, elabora um sistema
ao mesmo tempo positivista, messiânico e místico,
implicando uma interpretação kantiana do cálculo (1814);

Bordas-Demoulin,
por ocasião de uma reflexão sobre Descartes,
dá uma interpretação platônica do cálculo (1843).

Muitas riquezas filosóficas, aqui,
não devem ser sacrificadas à técnica científica moderna:
um Leibniz,
um Kant,
um Platão

do cálculo.

O principio de uma filosofia diferencial em geral
deve ser o objeto de uma exposição rigorosa
e não depender em nada dos infinitamente pequenos.

O símbolo dx aparece ao mesmo tempo
como indeterminado,
como determinável
e como determinação.

A estes três aspectos
correspondem três princípios
que formam a razão suficiente:

ao indeterminado como tal (dx, dy),
corresponde um princípio de determinabilidade;

ao realmente determinável ( dy/dx ),
corresponde um princípio de determinação recíproca;

ao efetivamente determinado (valores de dy/dx ),
corresponde um princípio de determinação completa.

Em suma, dx é a Idéia – a Idéia
platônica,
leibniziana
ou kantiana,

o “problema” e seu ser.
” p.287

(mais aqui)

O que depois se segue é FUNDAMENTAL para perceber toda a estratégia do pensamento de Deleuze (e esqueçam perceber seja o que fôr do “O que é a filosofia” se não perceberem EXATAMENTE o que se segue.

Olhe-se para o júri que presidiu a defesa da TESE DE DOUTURAMENTO e pense-se se é realmente credível que poderia aqui passar algum “erro de desconhecimento elementar”…  falta de respeito…

Sugiro, para um debate INFORMADO desta problemática em Deleuze: Smith, Daniel. “Axiomatics and problematics as two modes of formalization: Deleuze’s epistemology of mathematics.” (aqui), publicado em “Virtual Mathematics: the Logic of Difference”.  edited by Simon Duffy. London: Clinamen, 2006.

Para compreenderem seriamente de que Deleuze fala no momento em que os 2 patetas decidem “critica-lo”, veja-se a refutação de Jean-Michel Salanskis ( página pessoal … mas será q os srs  conhecem… q fazer… q fazer…), um dos mais interessantes (e importantes filosofos contemporaneos no campo da Filosofia da Matemática (com um soberbo “Philosophie des mathématiques“” na J Vrin … mas será q sabem algo sobre a J Vrin… e sobre filosofia da matemática… hum…)

Cette convocation des mathématiques par Deleuze m’a toujours semblé dans son principe légitime et correcte. J’ajouterai même que la lecture de Deleuze m’a incité à lire Lautman, ce dont je ne lui serai jamais assez reconnaissant, et que sa vision de l’idée et de l’actualisation selon l’idée était si séduisante, notamment dans son habillage mathématique, qu’elle m’a incité non seulement à la réflexion, la recherche et au dialogue critique, comme toute idée importante, mais, de façon plus surprenante et plus pertinente ici, à un effort accru de documentation mathématique.

Comme mathématicien, je m’étais spontanément porté du côté algébrique de la mathématique, et j’éprouvais une sorte de peur et de gêne devant tout ce qui en elle relevait du dévisagement de la multiplicité spatiale-continue, tout particulièrement la géométrie différentielle et ses nombreux développements.

Convaincu par des textes comme ceux de Deleuze de l’importance philosophique du thème dynamique, j’ai souhaité en comprendre plus la traduction mathématique, ce qui m’a conduit a réétudier comme un écolier dans les livres les notions de base – d’atlas, d’espace tangent, de champ de vecteur – et à essayer d’acquérir une idée de l’ampleur et la complexité des exploitations mathématiques des “structures différentiables” (allant jusqu’à m’informer, par exemple, de la géométrie symplectique et de quelques tendances de la moderne théorie des systèmes dynamiques). Je puis donc dire qu’il y a eu continuité, pour moi, entre la lecture du chapitre “synthèse idéelle de la différence” de Différence et répétition de Deleuze et ce que j’appellerais un travail technique de fond.

Il faut dire aussi, dans le cadre de ce contre-témoignage, que la fin du chapitre cité à l’instant est une description de l’individuation des choses (notamment de l’individuation biologique) où l’on peut reconnaître l’analogue philosophique des conceptions ontologiques de René Thom, inspirées par sa célèbre théorie des catastrophes. Conceptions qui, on le sait, ont tout de même trouvé une confirmation spectaculaire, encore que non reconnue comme telle par les maîtres américains du sujet, avec le développement du connexionnisme en sciences cognitives : ce dernier a repris à la lettre, en l’instanciant seulement dans des systèmes dynamiques discrets et finis, le principe de la modélisation par attracteurs.

Le rattachement des idées de Deleuze sur la genèse et sur le structuralisme aux vues et aux théories ontologiques de Thom est d’ailleurs largement confirmé par ce qu’a écrit à ce sujet Jean Petitot, qui connaît mieux que quiconque le dossier scientifique (9).

Mon effort de “mise à niveau” de mes connaissances mathématiques “en réponse” à des écrits philosophiques comme ceux de Deleuze a consisté, notamment, à m’informer de manière conséquente sur la théorie des catastrophes.

Sans anticiper sur la suite de ce texte, je me demande si Sokal et Bricmont ont lu Deleuze dans la bonne perspective, s’ils ont aperçu le contexte scientifique où s’insérait de droit ce qu’il écrivait”.

Pour une épistémologie de la lecture
Jean-Michel Salanskis

(outros artigos sérios sobre o tema aqui )

Respeito senhores, especialmente se são professores😦 …

o MAIS RIDICULO MESMO É QUE ESTES TIPOS APARECEM ARMADOS EM CAVALEIROS em defesa “DAS CITAÇÕES ENQUADRADAS”!!!!

p.s. Faço também reparar q o projecto foi apresentado em 67, na reunião da Sociedade Francesa de Filosofia, em 28 de Janeiro, onde estavam presentes (e mantiveram-se a par dos desenvolvimentos.. mas quem n conhece o meio intelectual de Paris isto escapa-lhes… ): Jacques Merleau-Ponty, Ferdinand Alquie, Maurice Gandillac, Alexis Philonenko, Jean Wahl, Jean Beaufret, Georges Bouligand, Stanlislas Breton, Noel Moulond, Lucy Prenant, Schuhl, Michel Sourau, Jean Ulmo… será que esta malta sabe quem são!!!???? Perceberão q dar crédito a “Sokal” em detrimento desta malta toda… é absolutamente caricato??? ainda por cima sem lerem… sem confirmarem… por amor de quem sois…

One thought on “Sokal e Bricmont não percebem é puto do que Deleuze fala… tal como os papagaios em redor…

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