Deleuze sobre “Visbilidades e Enunciados” em Foucault

Deleuze sobre Forma de Expressão (enunciados) e Forma de Conteúdo (visibilidades) em FOucault. Reparar a diferença com a Forma de Expressão (regime de signos) e Forma de conteúdo (regime pragmático) em Deleuze e Guattari (Mil Platos. O que num é uma contrpaosição na “teoria” entre forma da espontaneidade e da recetividade, torna-se nos segundos uma contraposção teoria-prática…

“A forma, é dita em dois sentidos:
a)    ela Forma ou organiza MATÉRIA
b)    ela Forma ou finaliza FUNÇÕES, dá-lhes objectivos
a) Não só a prisão como também o hospital , a escola, a caserna, a oficina, são MATÈRIAS Formadas
b) Punir é uma FUNÇÃO, como o são tratar, educar, disciplinar, fazer trabalhar.O facto é que há uma espécie de CORRESPONDÊNCIA, se bem que as DUAS Formas sejam IRREDUTÍVEIS.
(ex…)
Como explicar então esta coadaptação?
É que nós podemos conceber Puras MATÉRIAS + Puras FUNÇÕES,
desde que façamos abstracção das Formas em que elas se incarnam.Quando Foucault define o Panoptismo
OU o determina concretamente como um agenciamento óptico ou LUMINOSO que caracteriza a prisão
OU o determina abstractamente como uma MÁQUINA
que NÃO se aplica a uma Forma VISIVEL Geral (oficina, caserna, escola, hospital enquanto prisão),
como também atravessa, no Geral, todas as funções ENUNCIAVEIS.
(…)
É uma lista indefinida, mas que continua a dizer respeito
a MATÉRIAS não-Formadas, não organizadas
e a FUNÇÕES não-Formalizadas, não-finalizadas
estando as DUAS VARIÁVEIS indissociavelmente ligadas.
Que nome dar a esta nova dimensão inFormal?

Foucault deu-lhe, numa ocasião, o seu nome mais preciso:
é um DIAGRAMA.

(…)
Definindo-se por FUNÇÕES e MATÈRIAS
inFormais,
Ela ignora qualquer distinção de Forma

entre
CONTÉUDO
e EXPRESSÃO

entre
uma Formação DISCURSIVA
e uma Formação NÃO-DISCURSIVA

É uma Forma quase CEGA e MUDA
Se bem que seja ela que faz VER
que seja ela que faz FALAR”

“Foucault”- Deleuze p.57, 58, ed Vega

‎(…) aquilo que se ACTUALIZA
não pode realizar-se senão por DESDOBRAMENTO ou DISSOCIAÇÃO,
criando as Formas divergente entre as quais se partilha.(…)

é aí que divergem ou se DIFERENCIAM 2 Formas de ACTUALIZAÇÃO

Forma de EXPRESSÃO + Forma de CONTEÚDO
Formas DISCURSIVAS + NÃO-DISCURSIVA
Forma do VISÍVEL + Forma do ENUNCIÁVEL

È precisamente por ignorar as Formas,
nas suas MATÉRIAS como nas suas FUNÇÕES
que a CAUSA IMANENTE se ACTUALIZA segundo umA DIFERENCIAÇÃO central
q,por um lado, Formará MATÉRIA VISÍVEIS
e por outro lado, Formalizará FUNÇÕES ENUNCIÁVEIS

ENTRE o VISÍVEL e o ENUNCIÁVEL,
Uma fenda, uma DISJUNÇÃO
Mas essa disjunção das Formas é O lugar, o NÃO-LUGAR, diz Foucault
Onde o DIAGRAMA inFormal se precipita,
para ir encarnar-se nas 2 direcções
necessariamente DIVERGENTES, DIFERENCIADAS, IRREDUTÍVEIS uma à outra

Os AGENCIAMENTOS CONCRETOS estão portanto FENDIDOS pelo INTERSTÍCIO
segundo o qual a MÁQUINA ABSTRACTA se efectiva

(…) Tal é pois a resposta:
Por um lado a DUALIDADE das Formas ou Formações
NÃO EXCLUI Causa Comum Imanente que opera no inFormal.

Por outro lado, essa Causa Comum Encarnada em cada caso, em cada DISPOSITIVO concreto,
não cessa de mediar as misturas, as capturas, as interceptações
das 2 Formas,
se bem que estas últimas sejam e permaneçam IRREDUTÍVEIS, heteromorfas.

Não é um exagero dizer que todo o DISPOSITIVO
é uma amalgama que mistura VISÍVEL e ENUNCIÁVEL.

“Foucault”- Deleuze p.63, ed Vega

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