O que Derrida responderia a Agamben… e à “vida nua” da “Documenta”…

como Derrida "descontruiria" a "vida nua"

“Jaques Derrida “O soberano Bem” , Coimbra, Portugal
Conferencia pronunciada na abertura de um colóquio internacional com o título A soberania Crítica, Desconstrução, aporias. (Em torno do pensamento de Jaques Derrida), organizada por Fernanda Bernardo (tradutora) na Universidade de Coimbra de 17 a 19 de Nov 2003
(…)
P.37 “Vamos mostrar já de caminho q n nos podemos interessar pelas relações da besta e do soberano, bem como por todas as questões do animal e do politico, da política e do animal, do homem e da besta quanto ao Estado, à Polis, à Cidade, á Republica, ao corpo social, à Lei em geral, à guerra e à paz, ao terror e ao terrorismo, ao terrorismo nacional e internacional, etc.,
sem reconhecer algum privilégio à figura do “lobo”; e não apenas na direcção de um certo Hobbes e desta fantástica fantasmática, insistente, recorrente alteração entre o homem e o lobo, entre ambos, o lobo para o homem, o homem para o lobo, o homem COMO lobo para o homem, o homem como género humano, desta vez, para além da diferença sexual, o homem e a mulher (homo homini lúpus, dizendo claramente este dativo que se trata também de um modo de, na interioridade do seu espaço humano, o homem se dar, se representar, se contar a si mesmo esta historia de lobo, um modo de escorraçar o lobo fazendo-o vir, caçando-o (chamam-lhe uveterie a esta caça aos lobos), num fantasma, numa narrativa, num mitema, numa fábula, num tropo, numa figura de retórica, aí onde o homem conta historia do político, a história da origem da sociedade, a história do contrato social, etc.: para o homem, o homem é um lobo)(…)
p.41
Não paramos de tentar pensar este devir-besta, este devir-animal de um soberano que é antes de mais um chefe de guerra e se determina como soberano ou como animal em face do inimigo. Ele é instituído soberano pela possibilidade do inimigo, por esta hostilidade em que SCHMITT pretendia reconhecer, a par da possibilidade do político, a própria possibilidade do soberano, da decisão e da excepção soberanas.”

‎(…)p.53
A única regra que, de momento, creio ser preciso acatar aqui é, não só não nos fiarmos nos limites oposicionais comummente acreditados entre o que se natureza e cultura, natureza/lei, physis/nomos, Deus, o homem e o animal ou ainda …de um “próprio do homem”, tanto quanto a de, no entanto, não misturarmos tudo e não nos precipitarmos por analogismos, para semelhanças ou identidades.

De cada vez que se põe a questão um limite oposicional, longe de se concluir pela identidade, é, pelo contrário, preciso multiplicar a atenção às DIFERENÇAS, refinar a análise num campo estruturado.

Para não ir buscar senão este exemplo, o mais próximo do nosso propósito, não bastará ter em conta o facto pouco contestável de que há sociedades animais refinadas e complicadas na organização das relações familiares e sociais em geral, na repartição do trabalho e das riquezas, na arquitetura, na herança de adquiridos, de bens ou de aptidões não inatas, na conduta da guerra e da paz, na hierarquia dos poderes, na instituição de um chefe absoluto (por consenso ou pela força se se puder distinguir), um chefe absoluto que tem direito de vida e de morte sobre os outros, com a possibilidade de revoltas, de reconciliações, de graças acordadas, etc.;

não bastará ter em consideração estes factos pouco contestáveis para daí concluir que há politico e sobretudo soberania em comunidades viventes não humanos. “Animal social” não quer necessariamente dizer animal político, nem toda a lei é necessariamente ética, jurídica ou política(…)

;) é uma outra concepção de “poder” como verbo e não como substantivo, do micropoder, do Estado com efeito e não como causa (ao ponto de se lutar pela escravidão como se fora a liberdade)… do espaço social como diagrama… agenciamento… para além e aquém do “Homem”…

One thought on “O que Derrida responderia a Agamben… e à “vida nua” da “Documenta”…

  1. […] (dialéctica, hilomorfica) da zôê e da bios de Agamben, não há lobos… a não ser culturais… só nos podemos lembrar de Derrida (aqui) (mas é sempre Nietzsche por aqui… não […]

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