Filosofia e Arte – não, não somos “pós-modernistas”…


A diferença entre
os PERSONAGENS conceituais
e as FIGURAS estéticas
consiste de início no seguinte:

uns são potências de CONCEITOS,
os outros, potências de AFECTOS e de PERCEPTOS.

Uns operam sobre um PLANO DE IMANÊNCIA
que é uma imagem de Pensamento-Ser (númeno),
os outros, sobre um PLANO DE COMPOSIÇÃO
como imagem do Universo (fenômeno).

(…)

O que se conserva, a coisa ou a obra de arte,
é um bloco de SENSAÇÕES,
isto é, um composto de perceptos e afectos.

Os perceptos não mais são percepções,
são independentes do estado daqueles que os experimentam;

os afectos não são mais sentimentos ou afecções,
transbordam a força daqueles que são atravessados por eles.

As SENSAÇÕES,
perceptos e afectos,
são seres que valem por si mesmos
e excedem qualquer vivido.

Existem na ausência do homem,
podemos dizer,
porque o homem,
tal como ele é fixado
na pedra, sobre a tela ou ao longo das palavras,
é ele próprio um composto de perceptos e de afectos.

A obra de ARTE é um ser de SENSAÇÃO,
e nada mais: ela existe em si

A SENSAÇÃO composta,
feita de perceptos e de afectos,
des-territorializa o sistema da OPINIÃO
que reunia as percepções e afecções dominantes
num meio natural, histórico e social.

Mas a SENSAÇÃO composta
se reterritorializa
sobre o PLANO DE COMPOSIÇÃO,
porque ela ergue suas casas sobre ele,
porque ela se apresenta nele
em molduras encaixadas
ou extensões articuladas
que limitam seus componentes,

paisagens tornadas puros perceptos,
personagens tornados puros afectos.

E, ao mesmo tempo, o PLANO DE COMPOSIÇÃO
arrasta a SENSAÇÃO
numa desterritorialização superior,
fzendo-a passar por uma espécie de desenquadramento
que a abre e a fende sobre um cosmos infinito.

Como em Pessoa,
uma sensação, sobre o plano,
não ocupa um lugar sem estendê-lo,
distendê-lo pela Terra inteira,
e liberar todas as sensações que ela contém:
abrir ou fender,
igualar o infinito.

Talvez seja próprio da arte
passar pelo finito para reencontrar, restituir o infinito.

Os seres da sensação são VARIEDADES,
como os seres de conceitos são VARIAÇÕES
e os seres de função são VARIÁVEIS.

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